Neste ano a eleição para as duas vagas do Senado do Rio de Janeiro será a representação máxima de como erros eleitorais sucessivos podem entregar a vitória para adversários políticos. Se o campo da Direita e do Partido Liberal (PL) tem todos os motivos para lamentar, já que seus erros serão os grandes responsáveis por provavelmente eleger Benedita da Silva (PT) senadora no próximo domingo (04/10), o campo da Esquerda e do Partido dos Trabalhadores (PT) não deve ficar para trás nas lamentações, elegendo Marcelo Crivella (Rep), Carlos Jordy (PL) ou Carlos Portinho (PL).
No começo deste ano, o PL foi assolado mais uma vez pelo que é tem sido desde de sempre seu grande problema – desorganização. Flávio Bolsonaro (PL) saiu para concorrer a presidência da República, deixando uma vaga aberta para o Senado Federal. Seu irmão, Carlos Bolsonaro (PL), que seria o sucessor natural, decidiu concorrer ao Senado por Santa Catarina.
A única certeza que se tinha, naquele momento, era que Cláudio Castro (PL), então governador, seria um dos candidatos ao Senado, embora ele mesmo negasse essa convicção. Por motivos desconhecidos do público, Portinho, que já é senador, foi tratado desde sempre pelo PL como última opção para disputar a reeleição, deixando a segunda vaga do campo da Direita em aberto.
Nessas voltas que o mundo dá, que mexeu o tabuleiro político no estado este ano pelo menos uma dúzia de vezes – a vaga de Portinho, foi para Márcio Canella (então prefeito de Belford Roxo). O Republicanos (Rep), percebendo a bagunça eleitoral do PL, viu nisso a oportunidade de lançar Marcelo Crivella (Rep) para senador, que tem uma forte identificação com o eleitorado cristão conservador.
Só que o mundo girou novamente, Castro desistiu e Canella foi preso. Portinho, após fazer muita pressão, ganhou de volta o direito de disputar a reeleição pelo PL e Carlos Jordy, que seria candidato a deputado federal, foi chamado para disputar a outra.
E foi assim que a Direita terminou com três candidatos fortes e viáveis que dividirão votos para as duas vagas do Senado.
No campo da Esquerda, a métrica foi desde sempre concentrar votos. Os caciques do PT fizeram a lição de casa e consignaram seu apoio a Eduardo Paes ao apoio irrestrito deste a Benedita. Deu certo e a deputada tem liderado as pesquisas de intenção de voto desde quando elas começaram a ser realizadas. O problema formou-se no entorno da segunda vaga, que no combinado entre os caciques, seria disputada por Pedro Paulo (PSD).
Só que o eleitorado mais ideológico da Esquerda parece não ter se esquecido das peripécias passadas de Pedro Paulo ou ter se convencido da necessidade de movimento ao centro feito pelos caciques do PT. Candidatos e influenciadores daquele campo correram para longe de Pedro Paulo, abraçando a candidatura da ainda mais esquerdista Monica Benicio, do PSOL.
E é assim que a Esquerda terminou com três candidaturas fortes que dividirão o votos para as duas vagas do Senado Federal no Rio de Janeiro.
O resultado, como não poderia deixar de ser, é que, Benedita lidera as intenções de voto em todas as pesquisas, surfando na concentração de votos criada pelo seu próprio partido. Já para a segunda vaga existe um empate técnico à direita entre Crivella, Jordy e Portinho, quase que assegurando que a outra cadeira ao Senado será de um candidato conservador.
Os votos de Monica e Pedro Paulo, indicam as pesquisas, estivessem concentrados em uma única candidatura, seriam suficientes para eleger um dos dois senador. Como foram incapazes de se unir, ou unir o eleitorado em torno de si, provavelmente vão ver alguém da Direita se eleger no lugar.
Assim também os votos de Crivella, Portinho e Jordy eram capazes de juntos, quem sabe, eleger dois senadores, retirando inclusive a vaga de Benedita. Depois de diversas trapalhadas entretanto, chegam ao dia 4 de outubro com dois senadores (Flávio e Portinho) e provavelmente sairão dele com apenas um (quem só Deus sabe). Vale dizer ainda que essa vaga remanescente não será conquistada por brilhantismo estratégico, mas por erro no campo adversário.
Caso um dos dois lados consiga o milagre de concentrar votos pode ser, embora seja improvável, que alguém consiga ficar com as duas vagas do Senado. Detalhe, tratar-se-á de milagre e não de qualquer habilidade política dos envolvidos.
Será um belo caso de uma mão lava a outra, já que provavelmente será a única unidade da federação onde a Direita elegeu um senador de Esquerda e vice-versa.







