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Opinião: A complicada situação da campanha de Eduardo Paes no Rio de Janeiro

Opinião: A complicada situação da campanha de Eduardo Paes no Rio de Janeiro

Foto: André Horta/FotoArena

O recente resultado de todas as pesquisas eleitorais sobre o estado do Rio de Janeiro escancarou uma situação complicada para Eduardo Paes (PSD). A disputa pelo governo do estado, que parecia “resolvida” a favor de Paes, mostra sinais cada vez mais contundentes de que a coisa não será bem por ai.

Douglas Ruas (PL), seu principal oponente, tem ganhado musculatura e a eleição para governador, que muitos acreditavam que se encerraria no 1° turno, agora está caminha a passos largos para um 2° turno inesperado. Eduardo ainda mantém uma distancia confortável de seus oponentes na maioria das pesquisas, mas o que lhe permitiu liderar o processo eleitoral até o momento era um conjunto de circunstâncias favoráveis e que agora apresentam desgaste.

A sorte bem que sorriu para Eduardo Paes na primeira metade deste ano. Os planos do PL, partido de seu principal adversário, foram todos frustrados, um após o outro. Entre interferências judiciais na linha de sucessão estadual, até a perda do candidato a vice da chapa adversária nas vésperas das convenções, tudo parecia trabalhar a favor de Eduardo. Nem outros adversários escaparam de enfrentar uma onda de problemas – o ex-governador Garotinho, por exemplo, foi de elegível para inelegível algumas vezes durante o ano, estando sua situação ainda incerta.

Agora, se o universo conspirava a favor de Paes, não seriam os caciques da política local que ficariam contra essa avalanche de sorte. Todos os grandes e médios caciques da política do estado – Washington Reis (MDB), Márcio Canella (União), Dr. Luizinho (PP), Waguinho (Rep), Rueda (União), Quaquá (PT), Rogerio Lisboa (PP), Crivella (Rep), entre outros – ou declararam apoio a Eduardo ou neutralidade na disputa. O PL ficou isolado, restando ao lado de Douglas Ruas apenas Jair Bittencourt, a família Delaroli, Altineu Cortes e uma meia dúzia de políticos regionais e bolsonaristas.

Na vida e na política entretanto, como diz uma famosa música da banda Aviões do Forró, “o tempo passa, o mundo gira, o mundo é uma bola” e a onda de sorte de Eduardo parece ter se esgotado e a história começou a mudar.

Os caciques da política, que foram cruciais para sua vantagem estratégica em um primeiro momento, também tornaram-se um peso no segundo. Douglas, que era uma ilustre desconhecido até bem pouco tempo, aproveitou-se disso para se intitular representante da “nova política”, conseguindo colar na já cansada imagem de Eduardo (que milita na política desde a década de 90), a de que o ex-prefeito representa a velha política – afinal todas as velhas raposas estão com ele.

O apoio de Lula e do Partido dos Trabalhadores também começou a pesar. Embora tenha conferido a sua candidatura de Paes tempo de rádio/televisão e fundo partidário. De outro, fez com que o ex-prefeito passasse a ser responsabilizado pelo estado geral de coisas do próprio país. Junta-se a isso, o afastamento do voto dos conservadores, principalmente dos evangélicos, que passaram a inquiri-lo por valores inerentes a própria esquerda. Já os eleitores da esquerda, que nunca se empolgaram de fato com a candidatura de Eduardo, passaram a se sentir traídos por qualquer das tentativas de aproximação entre ele e o campo conservador.

Paes, quando renunciou ao cargo de prefeito do Rio de Janeiro, saiu ostentando como seu principal ativo político o fato de ter sido um bom prefeito da cidade mais famosa do Brasil. Na contramão, por isso mesmo, ele passa uma imagem de candidato dos “ricos da zona sul” – coisa que Douglas Ruas, que tem a cara do jovem da baixada fluminense, está sabendo aproveitar bem.

Se não consegue navegar pelo voto ideológico e nem pelo voto de identificação, restou o voto útil, que é volátil e precisa, em boa medida, de estrutura para se consolidar. Só que os caciques da política, que foram rápido com o vento para o lado de Paes, vendo que a direção das marés está mudando, também começaram a se afastar dele na mesma velocidade.

A cada nova pesquisa desaparece um pouco do clima de “já ganhou” da campanha do ex-prefeito e com esse pouco de clima perdido, desaparece também algum apoiador. Alguém tem notícias da pletora de políticos tradicionais que declararam apoio a Eduardo na primeira hora? Pois então…

Terminam de azedar a receita de “vitória fácil” de Paes os recentes escândalos de corrupção que atingiram o governo Lula, a polarização política e a situação econômica geral do país.

Eduardo chaga agora na semana da eleição com uma crise real e muito complicada de ser resolvida. Caso qualquer nova pesquisa aponte um aumento nas intenções de voto de Douglas Ruas, ou uma queda nas suas próprias, pode ver sua campanha desidratar de maneira irreversível. Sem o clima de “já ganhou” o apoio de conveniência fatalmente continuará se afastando o que lhe tornará ainda mais fraco. Para piorar, existem chances de encerrar o 1° turno praticamente empatado com Ruas e ir para o 2° com tendência de queda, ao invés da estagnação, que segundo as pesquisas, está enfrentando.

Não é uma situação fácil de resolver.

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