As empresas estatais federais registraram um déficit de R$ 5,9 bilhões entre janeiro e maio de 2026, acumulando o pior resultado para o período desde o início da série histórica do Banco Central (BC). O valor supera o rombo total de 2025, encerrado em R$ 3,6 bilhões. Ao incluir estatais estaduais e municipais, o saldo negativo chega a R$ 7,4 bilhões no ano e atinge R$ 9,7 bilhões no acumulado de 12 meses.
Analistas econômicos associam a trajetória negativa a mudanças na governança, ocupação política e ao conceito de “função social” para justificar perdas e investimentos fora das metas. A flexibilização temporária da Lei das Estatais por liminar no STF, em 2023, permitiu a retomada de indicações políticas para diretorias e conselhos de administração, cenário que se contrapõe ao período entre 2018 e 2022, marcado por superávits anuais. Os Correios despontam como exemplo do impacto financeiro, tendo fechado 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões.
O Ministério da Gestão e da Inovação (MGI) contesta o indicador do BC, alegando que a métrica apura apenas a necessidade de financiamento. Segundo balanço da pasta, as estatais registraram lucro líquido de R$ 169,4 bilhões em 2025, com ativos de R$ 7,2 trilhões e R$ 115,9 bilhões em investimentos. O governo sustenta que os resultados negativos representam investimentos em fase de maturação.
Economistas ressaltam, contudo, que os levantamentos medem universos distintos. A estatística do BC monitora apenas empresas não dependentes. Já o balanço do governo inclui sociedades de economia mista com acionistas privados, como Petrobras, Banco do Brasil e BNDES, companhias que responderam por 90,9% do lucro total reportado pelo Executivo em 2025.







