Corretores imobiliários de Miami relatam um aumento na procura por imóveis de alto padrão por parte de moradores ricos vindos da Califórnia. A migração ocorre em meio à discussão sobre a criação de um imposto sobre grandes fortunas no estado. A proposta prevê a cobrança única de 5% sobre patrimônios superiores a US$ 1 bilhão, caso seja aprovada em referendo.
Embora o projeto ainda não tenha reunido assinaturas suficientes para entrar na cédula eleitoral e enfrente questionamentos jurídicos, a simples possibilidade de aprovação já tem provocado movimentação no mercado imobiliário do sul da Flórida. Segundo a corretora Dina Goldentayer, da Douglas Elliman, muitos californianos estão “fazendo ofertas” por propriedades avaliadas entre US$ 30 milhões e US$ 150 milhões. Parte dos compradores busca imóveis de prestígio, enquanto outros priorizam aquisições rápidas para estabelecer residência fiscal fora da Califórnia.
Especialistas apontam que a proposta de imposto inclui no cálculo do patrimônio ações com direito a voto em startups, o que pode atingir fundadores de empresas de tecnologia, inclusive do setor de inteligência artificial. Caso aprovada, a medida poderá enfrentar disputas judiciais, especialmente quanto à sua aplicação retroativa.
Gestores de patrimônio relatam que parte dos clientes já deixou a Califórnia devido ao sistema tributário progressivo do estado. Andrew Graham, fundador da Jackson Square Capital, estima que 8% de seus clientes migraram e outros 20% consideram a mudança.
O movimento fortalece a estratégia de Miami de se consolidar como alternativa ao Vale do Silício e a centros financeiros tradicionais. Desde a pandemia, a região atrai moradores em busca de impostos mais baixos e regulamentações mais flexíveis.






