O Brasil confirmou 18 casos de sarampo em 2026, dos quais 16 foram registrados no estado de São Paulo. Embora o país permaneça classificado sem circulação endêmica do vírus — status rebatido no início de 2025 após ter sido perdido no passado por queda na imunização — o surgimento de novas ocorrências acende o alerta sobre o risco de surtos regionais.
Segundo especialistas, a ocorrência de grandes surtos depende da cobertura vacinal e da velocidade de controle dos casos iniciais. O clínico geral Lucas Albanaz, diretor clínico do Hospital Santa Lúcia Gama, explica que surtos acontecem quando o vírus atinge locais com acúmulo de pessoas não vacinadas, mesmo em países com médias de vacinação consideradas razoáveis. Já o infectologista André Bon, da Rede Américas, ressalta que crianças menores de 1 ano e adultos imunossuprimidos são os mais vulneráveis a complicações graves, como pneumonia — principal causa de morte infantil associada à doença — e encefalite. Em gestantes, a infecção aumenta os riscos de parto prematuro e perda gestacional.
Considerado uma das doenças mais contagiosas do mundo, o sarampo é transmitido por aerossóis que permanecem suspensos no ar por até 24 horas, infectando pessoas inclusive antes do aparecimento dos sintomas. Para conter o vírus, médicos reforçam a necessidade de manter uma cobertura vacinal de 95% com as duas doses da tríplice viral em todos os municípios. O esquema do Ministério da Saúde prevê aplicações aos 12 e 15 meses de idade, além de dose extra a partir dos 6 meses em situações de surto e atualização para adultos. A identificação precoce de sintomas como febre, manchas vermelhas, tosse, coriza e conjuntivite, associada ao isolamento e à vacinação de bloqueio, é decisiva para deter as cadeias de transmissão.







