O governo italiano determinou o encerramento das fronteiras marítimas e aéreas com a Espanha e a suspensão temporária do livre trânsito do Espaço Schengen entre os dois países. A medida, aprovada formalmente nesta sexta-feira, foi motivada pela chegada massiva de migrantes ao enclave espanhol de Ceuta, no Norte da África.
A decisão foi anunciada pela primeira-ministra Giorgia Meloni e pelos vice-primeiros-ministros Antonio Tajani e Matteo Salvini, com aprovação do ministro do Interior, Matteo Piantedosi. Meloni classificou a ação como “medida extraordinária para salvaguardar a segurança nacional”, prevendo duração inicial de um mês e garantindo esforço para mitigar impactos no turismo de verão.
A polícia de fronteira italiana realizará controles seletivos em cidadãos de países terceiros. Outras nações europeias adotaram posturas similares ou de reforço: a França aumentou o controle na fronteira terrestre com a Espanha, enquanto países como Finlândia, Holanda, Dinamarca, Chéquia e Suécia manifestaram apoio à posição italiana. Por outro lado, o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, defendeu ponderação e descartou a suspensão do acordo.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, criticou a medida declarando que “solidariedade e empatia são opcionais”, mas o respeito aos tratados europeus não é. O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, convocou o embaixador italiano em Madri para prestar esclarecimentos.
O governo espanhol esclareceu que o fluxo em Ceuta decorre da exploração criminosa de uma recente decisão do Supremo Tribunal local por redes de tráfico humano, sem relação com políticas de regularização de migrantes. Já o comissário europeu de Assuntos Internos, Magnus Brunner, destacou que o Código Schengen possui regras específicas para Ceuta e Melilla e reiterou que não há registros de deslocamentos significativos em direção ao continente europeu.






