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“Há razões para esse mal-estar”, diz José Dirceu sobre alta rejeição a Lula

José Dirceu adota campanha eleitoral online para a Câmara dos Deputados enquanto realiza tratamento de quimioterapia contra um linfoma.

“Há razões para esse mal-estar”, diz José Dirceu sobre alta rejeição a Lula

José Dirceu adota campanha eleitoral online para a Câmara dos Deputados enquanto realiza tratamento de quimioterapia contra um linfoma.
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O ex-ministro José Dirceu (PT), de 80 anos, lançou uma campanha eleitoral inteiramente digital na disputa por uma vaga de deputado federal por São Paulo. O candidato teve de adaptar suas atividades devido ao tratamento de quimioterapia contra um linfoma no duodeno, diagnosticado em maio, que reduz sua imunidade e impede o contato presencial com eleitores. Para manter a interlocução com o público, Dirceu criou o canal “Do Zé TV” em suas redes sociais, onde apresenta o quadro “Expresso do Zé” com análises e conversas diárias.

A atual candidatura marca o retorno do ex-ministro às urnas após mais de duas décadas sem disputar cargos eletivos, período em que enfrentou condenações e prisões decorrentes dos processos do Mensalão e da Operação Lava Jato. A última eleição disputada por ele ocorreu em 2002.

Durante uma entrevista a BBC News, o ex-ministro defendeu mudanças na legislação eleitoral brasileira. Dirceu criticou o modelo atual de financiamento público e defendeu o retorno das doações privadas para campanhas, sugerindo o estabelecimento de um teto de R$ 500 mil. Ele também criticou o formato vigente das emendas parlamentares, sugerindo que os recursos sejam vinculados a programas definidos pelo governo federal.

Ao avaliar o cenário eleitoral, Dirceu manifestou otimismo e destacou o peso da coligação formada em torno do Partido dos Trabalhadores (PT). O político comentou ainda os índices de rejeição ao governo Luiz Inácio Lula da Silva, atribuindo a insatisfação de parte do eleitorado a fatores econômicos, jornadas de trabalho e problemas em serviços públicos. “Há razões para esse mal-estar”, disse ele.

Ele aposta na crítica construtiva para reverter o quadro. “É bom que seja assim. Eu tenho dito publicamente isso, porque muitos companheiros e companheiras falam ‘Ah, mas que injustiça! (…)’. Eu digo que é bom que eles protestem. Nós temos que atender isso” encerrou.

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