O regime do Irã executou ao menos 1.639 pessoas ao longo de 2025, estabelecendo o maior índice de aplicações da pena de morte no país desde 1989. Os dados, compilados no relatório anual das organizações Iran Human Rights (IHR) e ECPM, revelam um crescimento de 68% no número de enforcamentos em comparação ao ano de 2024.
Segundo as entidades de direitos humanos, a ditadura iraniana intensificou o ritmo das execuções como resposta direta ao aumento da insatisfação social no território. A estratégia das autoridades consiste em utilizar a pena capital como ferramenta central de repressão e controle, visando desmobilizar novas ondas de protestos que possam ameaçar a estabilidade do governo dos aiatolás.
Durante o ano passado, a média de execuções foi de quatro a cinco prisioneiros por dia. O combate ao tráfico de drogas foi a principal justificativa legal utilizada pelo Estado, sendo responsável por 795 mortes. No entanto, o relatório aponta que a maioria das vítimas pertencia a camadas vulneráveis da sociedade, condenadas em processos judiciais sem garantias de ampla defesa ou julgamentos justos.
A Organização das Nações Unidas (ONU) manifestou críticas formais ao governo iraniano pelo uso da força letal. Para o organismo internacional, o Irã tem aplicado a pena de morte para crimes que não se enquadram na categoria de “mais graves”, ferindo os princípios estabelecidos pelo Direito Internacional. O cenário é descrito pelas organizações monitoras como uma tentativa de institucionalizar o medo entre os cidadãos iranianos.







