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Dados do TCU sobre obras paradas no país desmentem declarações de Lula

Obras paradas no Brasil chegam a 4.215 em 2026, segundo dados do TCU que apontam divergência com números citados pelo presidente Lula.

Dados do TCU sobre obras paradas no país desmentem declarações de Lula

Obras paradas no Brasil chegam a 4.215 em 2026, segundo dados do TCU que apontam divergência com números citados pelo presidente Lula.
Foto: Adriano Machado/Reuters

Durante discursos de sua campanha à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem atribuído as dificuldades na infraestrutura do país a um passivo de obras paralisadas herdado de gestões anteriores. As declarações do chefe do Executivo, contudo, apresentam dados divergentes em relação aos relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU).

Enquanto o presidente mencionou a existência de 14 mil obras paradas no início do mandato e, mais recentemente, em “mais de 6 mil”, os dados do TCU referentes à abril de 2026 contabilizam 4.215 empreendimentos paralisados. O número equivale a cerca de 13% do total de 32.292 obras monitoradas pelo TCU.

Segundo o tribunal, a redução no total do estoque em relação aos anos anteriores não se deve unicamente à retomada de projetos, mas também a alterações metodológicas nas bases de dados, com entradas, saídas e ajustes de cadastros. Informações da Casa Civil indicam que, entre abril de 2025 e abril de 2026, foram concluídas 6.141 obras, enquanto 12.573 novos contratos entraram na carteira do governo federal.

O relatório do TCU aponta ainda que mais de 3 mil empreendimentos que estavam parados em abril de 2025 permaneciam na mesma situação um ano depois, concentrando-se majoritariamente nos setores de Educação (1.861 obras) e Saúde (671 obras). No período, o painel registrou novas interrupções em 399 projetos da Saúde e 205 da Educação.

Especialistas e a própria Corte de Contas apontam que o problema da paralisação de obras é estrutural. Entre os principais gargalos relatados estão falhas no planejamento inicial, deficiências na elaboração de projetos de engenharia, morosidade em licenciamentos ambientais, atrasos em repasses financeiros e a priorização de novos anúncios em detrimento da conclusão de contratos vigentes.

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