A mídia estatal da Coreia do Norte passou a recomendar receitas culinárias tradicionais, como sopa de carne de cachorro e caldo de galinha com ginseng, para orientar a população a enfrentar uma onda de calor histórica no país. As transmissões oficiais substituíram as habituais ameaças militares por dicas de nutrição, enquanto associam o combate às altas temperaturas à imagem do líder Kim Jong-Un.
Segundo a televisão estatal norte-coreana, os termômetros atingiram 36,7 ºC no dia 6 de agosto, a maior marca já registrada no país. Veículos como o jornal Rodong Sinmun e a agência KCNA destacaram pratos para dar energia durante os dias quentes, classificando a carne de cachorro como suplemento e ressaltando um concurso gastronômico realizado no início do ano. Paralelamente, artigos de propaganda relembraram visitas passadas do líder a fábricas e canteiros de obras sob calor extremo para ilustrar sua dedicação ao trabalho.
A onda de calor atinge todo o Nordeste Asiático. Na Coreia do Sul, que proibirá a carne de cachorro até 2027, as temperaturas chegaram a 42,5 ºC em Yangsan, o maior nível desde 1904. O país registrou 23 mortes e mais de 2,2 mil diagnósticos por doenças ligadas ao calor, além da perda de milhares de animais em fazendas e o adiamento de partidas de beisebol após torcedores desmaiarem. No Japão, mais de 18 mil pessoas foram hospitalizadas por insolação na última semana de julho, e três leões morreram devido à desidratação em um zoológico de Tóquio. A Coreia do Norte não divulgou dados sobre possíveis vítimas.







