O bispo da diocese de Frederico Westphalen, dom Antonio Carlos Rossi Keller, publicou nesta sexta-feira (23) uma nota pastoral com críticas à recente carta assinada por 61 bispos em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No texto, intitulado A Doutrina Social não se cita pela metade, o prelado afirma que “o púlpito não é palanque” e que “o altar não é comitê”.
A manifestação contrasta a carta do grupo de bispos com a mensagem do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), divulgada no dia anterior. Segundo dom Antonio, enquanto a nota oficial da CNBB convocava os fiéis ao discernimento e à participação consciente, o documento do grupo de bispos direcionou implicitamente a rejeição à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao abordar temas como trabalho, armas e meio ambiente.
Para o bispo gaúcho, o documento de apoio omitiu pontos fundamentais e não negociáveis da Doutrina Social da Igreja, como a defesa da vida desde a concepção, a família, a liberdade religiosa, a propriedade privada e o direito dos pais sobre a educação dos filhos. “Citada pela metade, ela deixa de ser doutrina e passa a ser instrumento”, escreveu.
Dom Antonio destacou que fala em nome próprio e ressaltou que a Igreja opera no campo dos princípios, e não das escolhas eleitorais individuais. Ele alertou ainda para o risco de criar precedentes que utilizem a autoridade episcopal para orientar juízos práticos de voto sob a forma de ensinamento doutrinal.







