O agronegócio liderou o total de recuperações judiciais no Brasil no primeiro semestre de 2026, somando 1.263 CNPJs em dificuldades, com alta de 21,4% nos primeiros seis meses do ano e de 66% em 12 meses. O levantamento do Monitor RGF-Bizdoc indica que a deterioração no setor decorre de uma crise financeira — provocada por juros elevados, crédito restrito, flutuações nos preços das commodities e eventos climáticos —, e não de problemas na produção agrícola.
No cenário geral, o país encerrou o semestre com 6.341 empresas em recuperação judicial no recorte das companhias de maior relevância econômica, o maior nível da série histórica, representando uma alta de 6,2% em relação ao fim de 2025. Em junho, houve redução de 172 empresas nesse indicador, mas a consultoria RGF pontua que a queda pontual não sinaliza mudança estrutural.
Apesar do avanço do agronegócio, o comércio concentra o maior volume absoluto de recuperações judiciais, com 1.649 empresas (+22% em 12 meses), seguido pela indústria de transformação (1.455), construção (1.102) e transporte e logística (+24% em 12 meses). O estudo aponta que o juro real próximo de 9% ao ano é o principal fator do endividamento. Como a transmissão da queda de juros leva de 12 a 18 meses para se refletir na insolvência, o indicador deve seguir em patamar elevado em 2026.
A pesquisa também identificou um aumento no uso do recurso por micro e pequenas empresas, embora a incidência continue proporcionalmente maior entre grandes companhias (17,4 a cada mil). Paralelamente, o estoque de falências subiu para 2.798 casos ao fim de junho, impulsionado por nova jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que permitiu à Fazenda Pública requerer a falência quando a execução fiscal for ineficaz.







