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E se Lula vencer amanhã?

Eventual vitória de Lula em 2026 projeta cenário de forte oposição no Congresso, desafios fiscais e tensão institucional nas relações federativas.

E se Lula vencer amanhã?

Eventual vitória de Lula em 2026 projeta cenário de forte oposição no Congresso, desafios fiscais e tensão institucional nas relações federativas.

E se Lula vencer amanhã? Não há dúvida de que seria o cenário mais complexo desde a redemocratização do país. .

Esta eleição (2026), lembra, em amplos os sentidos, muito mais a eleição de 2014 (Dilma x Aécio) que a eleição de 2022 (Lula x Bolsonaro). Tanto em 2014 quanto em 2026 o Partido dos Trabalhadores ocupa o governo e tenta a reeleição. Em ambos os casos o pano de fundo da eleição também são os casos de corrupção – em 2014 a Lava Jato, em 2026 o Banco Master e o INSS. Em ambos os casos a crise de governo – em 2014 a MP dos Portos, em 2026 a rejeição de Jorge Messias para Supremo Tribunal Federal (STF). A profunda crise econômica refletida no preço dos alimentos e o crescimento eleitoral da oposição, fecham o quadro de proximidade. Até a comunicação das campanhas se aproximam, o que em 2018 e 2022 era uma discussão de valores, neste ano, como em 2014, tornou-se uma discussão de benefícios sociais (bolsa família e escala 6×1).

A campanha até se parece com a 2014, mas o cenário de governo é bem pior para Lula do que foi com Dilma. A crise criou pernas está espalhada por praticamente todos os setores – economia, sociedade, instituições e vizinhança estrangeira

No entorno geográfico, praticamente todos os vizinhos, com exceção do pequeno Uruguai, estão alinhados aos planos e políticas dos Estados Unidos (EUA). O Brasil então, que hoje já está isolado na América do Sul, com Lula reeleito, garantiria um isolamento ainda maior.

Internamente, todas as instituições (privadas ou públicas) enfrentam problemas com credibilidade, corrupção ou desconexão da realidade popular. Na pesquisa IPSOS sobre o tema, publicada no mês de julho, a única instituição que superou os 80% de confiança foram os Bombeiros, o resto todo – de Empresas, passando por Igrejas, indo até as Forças Armadas – ficou abaixo dos 70% confiança. Os poderes da República, Executivo, Judiciário e Legislativo, ficaram abaixo dos 50% de confiança. Isso sem contar as crises, disputas e investigações por corrupção em curso no Congresso Nacional, no STF e na própria Presidência da República.

O país também enfrenta uma brutal crise econômica, apesar do marketing positivo apresentado pela campanha de Lula (PT). São milhares de pessoas que dependem de auxílio governamental para sobreviver. O poder de compra do Real está baixíssimo e o brasileiro enfrenta dificuldade de consumir o básico para se alimentar.

A sociedade brasileira está conflagrada. Se Lula vencer, será por pouco e o país nunca terá enfrentado uma divisão política tão forte como agora. Uma divisão de valores e de formas de se enxergar o mundo e organizar a sociedade que põe de lados opostos pessoas da mesma família. Pela primeira vez em muito tempo o povo não se identifica como um único povo, como uma única nação, e movimentos de separação ganham força a partir das diferenças da população. A própria ideia de Brasil e do que é o Brasil está apagada.

A crise de segurança pública, que mata mais que a guerra na Faixa de Gaza (dados da Organização das Nações Unidas), já submete mais de 25% da população ao controle do crime organizado. Além disso, explosão do número de pessoas em situação de rua que possuem problemas mentais ou fazem usos de entorpecentes, somado a leis amplamente lenientes com criminosos, amplia a sensação de insegurança e transformam os espaços públicos em uma roleta russa onde nunca se sabe quem será a próxima vítima.

É esse país que Lula, de 81 anos, irá governar se vencer amanhã.

Do ponto de vista governativo, Lula irá enfrentar um congresso amplamente articulado contra ele, o que fatalmente desenha uma crise institucional no futuro próximo.

Na Câmara Federal, o Partido Liberal (PL), de Flávio Bolsonaro, com seus 121 deputados, se não ocupar a presidência, vai levar todos os cargos relevantes da Mesa Diretora, emparedando a vontade do presidente. Além disso, se souber negociar, leva também todas as comissões importantes. Já no Senado Federal, pela composição que terá em 2027, pela forma como agiu o atual presidente, Davi Alcolumbre (União) neste mandato, e pela derrota de Lula na indicação de Jorge Messias para o STF, o PL deve ficar mesmo com a presidência e excluir o PT de toda a mesa diretora, bem como de comissões importantes.

Essa situação indica um futuro governo paralelo no Congresso Nacional – um governo que além de tudo não aceitará ser ferroado pelo STF. Um congresso que não se incomodará em mudar a forma de indicação para ministros do STF e até impichar um dos atuais ministro se for desafiado. Mesmo se nada mudar, como as indicações dependem do Senado, Lula pode não conseguir mais indicar ministros até o final de seu mandato e composição da Corte ficará incompleta.

Nos estados, a maioria, incluindo a totalidade dos mais ricos, votaram na direita, elegendo governadores que fazem oposição à Lula. Esses governadores, em particular Tarcísio de Freitas (Rep) de São Paulo, tem intenções nacionais e tem interesse no debacle do PT e do próprio Lula. Pode-se imaginar que esses governadores não se furtarão a organizar a oposição usando da máquina estadual para isso, salvaguardando a independência de deputados e senadores da oposição frente ao governo federal.

No campo econômico Lula terá que fazer os ajustes e cortes que tem atribuído a Flávio Bolsonaro e isso provocará intensas discussões sociais por todo o país. A crise econômica, suspensa temporariamente pelo otimismo de uma possível vitória de Flávio, voltará com força total, atingindo o brasileiro antes do fim do ano.

Com o fim do inquérito das Fake News e o reestabelecimento das funções democráticas plenas, pode-se imaginar que o povo, pressionado pela piora da situação econômica retornará para protestar nas ruas do país. Esses protestos darão legitimidade para poderosa oposição congressual e levará por consequência a discussão de impeachment.

Lula sofrerá um processo de impeachment e, caso ele ou sua equipe se agarrem ao poder, alguém, em algum lugar, em um dos três poderes, vai acabar dando uma ordem que não será ou não poderá ser cumprida. A República de 1988 enfrentará um crise até agora sem precedentes que tende a ser resolvida pelo uso da força – seja pelas Polícias ou pelas Forças Armadas. Será o fim do Brasil como a geração de 1990, 2000 e 2010 conheceu.

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