Swing State, Estado Oscilante em português, é um termo eleitoral criado nos Estados Unidos da América (EUA) para definir aquelas unidades da federação que, em regra, apresentam um comportamento imprevisível nas eleições. As vezes votam no partido Democrata e as vezes no partido Republicano, oscilando entre ambos conforme as eleições. Locais como Pensilvânia, por exemplo, apresentam esse comportamento – votaram em Trump em 2016, em Biden em 2020 e novamente em Trump em 2024.
O oposto a isso seriam os “Safe State” (Estados Seguros), unidades da federação onde a preferência eleitoral por um dos partidos é tão forte e consolidada que o resultado da eleição ali é considerado praticamente garantido. Curiosamente até 2016 a Pensilvânia era vista como um Safe State do partido Democrata. Antes daquele ano a última vez que um Republicano havia vencido no estado foi nas eleições de 1988 com George Bush Pai.
Trazendo esse conceito para o Brasil podemos dizer que Minas Gerais seria um Swing State, que as vezes vota para a esquerda e as vezes para a direita. Minas votou na esquerda em 2002, 2006, 2010, 2014 e 2022, votou na direita em 1989, 1994, 1998, 2018 e agora em 2026 no primeiro turno. Já um estado como São Paulo se encaixaria na definição de Safe State, votou sempre para a direita em todas as eleições exceto em 2002.
Esse preâmbulo foi para explicar o interessante processo de “viragem” a direita do estado do Rio de Janeiro. Entre 1989 e 2014 o estado apenas havia votado na direita apenas em 1994, sendo sem dúvida um Safe State da esquerda. O carioca/fluminense votou por seis eleições no PT, cinco de maneira ininterrupta (1998, 2002, 2006, 2010 e 2014).
Em 2018, curiosamente, sem muitas explicações, o estado vota na direita, dando a Jair Bolsonaro uma dianteira de 4 milhões de votos sobre Fernando Haddad (PT). O estado também deu à direita grandes bancadas no legislativo estadual, federal, as duas vagas do senado e o governo estadual. Na época o movimento foi visto como esporádico e que não teria reflexos eleitorais permanentes, como havia sido em 1994. Não foi.
Em 2022 o Rio voltou a votar em Jair Bolsonaro. A diferença foi menor em relação a 2018, mas ainda sim Bolsonaro saiu com uma vantagem de 1 milhão de votos frente a Lula. Nas vagas para o legislativo e o próprio governo estadual repete-se a dose – tudo para a direita.
Dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT) passaram então a enxergar o estado como um Swing State. O partido estabeleceu metas, estratégias e prioridades para o Rio de Janeiro afim de recuperar a vantagem de outrora e evitar uma consolidação do estado no campo da direita.
Estamos em 2026, faltam poucos dias para o segundo turno, e independente do resultado geral das eleições, é possível dizer que a iniciativa já não deu certo. A população do Rio de Janeiro optou novamente por varrer a esquerda em todos os níveis. O Partido Liberal (PL), maior partido da direita, ficou com as maiores bancadas, tanto no legislativo estadual quanto federal, com o governo estadual em primeiro turno, as duas vagas do senado e mais 4,9 milhões de votos para o candidato Flávio Bolsonaro, um milhão a mais que os votos dados para Lula. Em resumo, a vantagem da direita no estado se manteve.
Após três eleições seguidas com um resultado bastante consolidado para o campo direistista é possível dizer com segurança que o estado do Rio de Janeiro – it’s no longer a swing state (não é mais um estado oscilante). Agora o Rio terá que ser considerado, para fins de matemática eleitoral, um Safe State da direita.
Os motivos da mudança podem ser muitos. Sem dúvida o cerne está no aumento da sensação de insegurança no estado somado a percepção de leniência por parte da esquerda com a criminalidade. Outro fator pode ser o distanciamento cultural da esquerda com as pessoas mais pobres somado a percepção de piora na qualidade de vida em geral.
O fato é que essa viragem será sem dúvida um grande desafio para candidaturas de esquerda no nível nacional. A direita conseguiu consolidar sua posição em toda a região Sul, Centro-Oeste e em três dos quatro estados do Sudeste. Já a esquerda fincou raízes no Nordeste e no Pará.
Isso quer dizer que de agora em diante, para viabilidade de candidaturas de esquerda no pleito presidencial, estados como Amazonas e Minas Gerais, que ainda podem ser considerado swing states, serão super decisivos. Perder nos dois pode levar a derrota irreversível, perder em um deles produz na prática um empate.







