Durante discursos de sua campanha à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem atribuído as dificuldades na infraestrutura do país a um passivo de obras paralisadas herdado de gestões anteriores. As declarações do chefe do Executivo, contudo, apresentam dados divergentes em relação aos relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU).
Enquanto o presidente mencionou a existência de 14 mil obras paradas no início do mandato e, mais recentemente, em “mais de 6 mil”, os dados do TCU referentes à abril de 2026 contabilizam 4.215 empreendimentos paralisados. O número equivale a cerca de 13% do total de 32.292 obras monitoradas pelo TCU.
Segundo o tribunal, a redução no total do estoque em relação aos anos anteriores não se deve unicamente à retomada de projetos, mas também a alterações metodológicas nas bases de dados, com entradas, saídas e ajustes de cadastros. Informações da Casa Civil indicam que, entre abril de 2025 e abril de 2026, foram concluídas 6.141 obras, enquanto 12.573 novos contratos entraram na carteira do governo federal.
O relatório do TCU aponta ainda que mais de 3 mil empreendimentos que estavam parados em abril de 2025 permaneciam na mesma situação um ano depois, concentrando-se majoritariamente nos setores de Educação (1.861 obras) e Saúde (671 obras). No período, o painel registrou novas interrupções em 399 projetos da Saúde e 205 da Educação.
Especialistas e a própria Corte de Contas apontam que o problema da paralisação de obras é estrutural. Entre os principais gargalos relatados estão falhas no planejamento inicial, deficiências na elaboração de projetos de engenharia, morosidade em licenciamentos ambientais, atrasos em repasses financeiros e a priorização de novos anúncios em detrimento da conclusão de contratos vigentes.







