O endividamento das famílias brasileiras atingiu 82,0% em julho de 2026, o maior patamar da série histórica iniciada em 2015. O dado, divulgado nesta semana pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), representa uma alta de 0,4 ponto percentual em relação aos 81,6% registrados em junho, afetando a capacidade de consumo e o ritmo do setor produtivo.
O índice abrange dívidas a vencer no cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e casa. No mês, a parcela de famílias que se consideram muito endividadas caiu de 17,2% para 17,1%, enquanto as pouco endividadas subiram de 34,2% para 35,0%.
A proporção de lares com contas em atraso recuou de 29,9% para 29,8%. O tempo médio de atraso nos pagamentos caiu pelo terceiro mês consecutivo, fixando-se em 64,6 dias — menor patamar desde dezembro de 2025. A fatia de devedores com pendências acima de 90 dias recuou para 48,5%. O presidente da CNC, José Roberto Tadros, destacou que as renegociações auxiliam os consumidores e que é preciso avançar em medidas para aliviar o bolso do trabalhador.
A pesquisa aponta ainda que 19% dos consumidores comprometem mais de metade da renda mensal com dívidas. Em média, os lares endividados destinam 29,5% do rendimento aos credores. Segundo o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, a queda da taxa Selic tende a contribuir para a diminuição do custo de novas operações de crédito.
Por faixa de renda, o endividamento atinge 84,9% das famílias com ganhos de até três salários mínimos, sendo que 38,5% possuem obrigações em atraso e 17,8% declaram não ter condições de pagar as faturas. Na faixa acima de 10 salários mínimos, o endividamento subiu para 72% em julho, mas as pendências em atraso recuaram para 15,1%.







