A corrida pela presidência do Brasil em 2026 apresenta um cenário inédito na história da República. Pela primeira vez, a atual primeira-dama, Rosângela da Silva (Janja), e sua antecessora, Michelle Bolsonaro, atuam de forma ostensiva para influenciar os rumos da sucessão presidencial por meio de posicionamentos e ações próprias, rompendo com o papel tradicionalmente discreto associado ao posto.
Apesar de pertencerem a campos ideológicos opostos, especialistas apontam que ambas promovem o aumento da participação e do protagonismo feminino. Luciana Panke, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), pontua que Janja possui histórico de atividade partidária e se mostrou ativa politicamente desde o início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Já Michelle focou inicialmente na pauta de cuidados no segmento conservador, expandindo sua influência gradativamente após o término do mandato do marido.
Conforme Déborah Vieira, professora da Universidade Vale do Rio Doce (Univale), a mudança reflete também uma evolução no eleitorado, composto majoritariamente por mulheres. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que as eleitoras representam 52,84% do total nacional, somando 83.887.672 inscritas — nove milhões a mais que o contingente masculino.
A movimentação das primeiras-damas é monitorada por pesquisas e analistas. Levantamento do Instituto Ideia encomendado pelo Canal Meio (registro BR-05628/2026) questionou os entrevistados sobre quem seria a mulher mais poderosa do país: Michelle Bolsonaro liderou com 15,4% das menções espontâneas, seguida por Janja, com 9%.







