O Paraguai consolidou-se como uma das nações mais conservadoras da América Latina, apresentando a menor queda no percentual de católicos na região. Segundo dados registrados entre 1996 e 2013, o recuo foi de apenas quatro pontos percentuais, mantendo atualmente cerca de 88% da população fiel ao catolicismo. Conforme o Annuario Pontificio 2025, o Vaticano inclui o país em um grupo restrito, ao lado de Argentina e Colômbia, onde a população católica ultrapassa os 90%.
A influência religiosa reflete-se diretamente nos indicadores sociais e na legislação vigente. Pesquisa do Pew Research Center aponta que 95% dos paraguaios se opõem à legalização do aborto, o índice mais alto do continente. A rejeição moral ao procedimento atinge 96%, patamar compartilhado apenas com Guatemala e Honduras. Atualmente, a lei paraguaia é restritiva, permitindo o aborto exclusivamente em situações de risco de vida para a gestante.
O posicionamento conservador estende-se ao debate sobre o casamento igualitário. Segundo levantamento da Anistia Internacional, o Paraguai possui uma das menores taxas de apoio à pauta na América do Sul. O atual governo, sob a presidência de Santiago Peña, reforça institucionalmente essa linha ao defender a família como o “núcleo essencial da sociedade” e manifestar oposição formal a avanços em questões de gênero.
O país também se destaca pelos baixos índices de divórcio. A dissolução formal do matrimônio foi legalizada apenas em 1991, após resistência de instituições religiosas, o que tornou o Paraguai um dos últimos países do mundo a admitir a separação oficial. Estudos de comportamento social indicam que a população paraguaia demonstra forte adesão a modelos tradicionais, com rejeição expressiva a pautas e bandeiras identificadas com o espectro político de esquerda.







