A explosão na demanda por medicamentos para emagrecer de alto custo, como o Mounjaro — cujas doses chegam a ultrapassar R$ 1,4 mil —, transformou as drogarias brasileiras em alvos frequentes de quadrilhas especializadas. O cenário de insegurança tem provocado episódios graves de violência e desencadeado crises severas de ansiedade, depressão e estresse pós-traumático em atendentes e farmacêuticos, que chegam a presenciar dezenas de assaltos em curtos intervalos de tempo.
O ápice da tragédia ocorreu em uma unidade 24 horas da Drogaria São Paulo, na Zona Norte da capital paulista, quando a farmacêutica Karina Ribeiro, de 38 anos, foi morta a tiros durante uma ação criminosa em que um cliente reagiu. O trauma levou colegas a buscarem o afastamento e a pedir a rescisão indireta do contrato de trabalho na Justiça, alegando falta de garantias de segurança por parte do empregador. Trabalhadores relatam que, diferentemente dos roubos a cofres e caixas do passado, as investidas atuais miram diretamente as geladeiras de estocagem dos medicamentos emagrecedores.
Apesar de a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) ter registrado 439 roubos a farmácias no primeiro semestre de 2026 — uma queda de 16% em relação ao ano anterior —, o sentimento de vulnerabilidade permanece elevado, sobretudo no turno da madrugada. Entidades como o Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (CRF-SP) demonstram preocupação com o adoecimento da categoria e já questionam a necessidade e a viabilidade do funcionamento ininterrupto de tantas unidades, sugerindo a revisão do modelo 24 horas e cobrando reforço policial ostensivo.







