Uma decisão da Justiça Eleitoral brasileira levou a rede social X (antigo Twitter) a implementar um filtro para limitar a exibição de algumas contas na aba “Para você”. O caso reacendeu o debate sobre os limites da atuação do Judiciário sobre as plataformas digitais durante o processo eleitoral.
A informação foi divulgada pelo portal espanhol UHN Plus e republicada pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. O relato indica que a plataforma foi obrigada a ativar um mecanismo que impede que perfis apontados pelas autoridades sejam sugeridos a usuários que não os seguem.
Na prática, o conteúdo dessas contas permanece disponível para seguidores ou para quem realiza buscas diretas, mas perde a recomendação do algoritmo. A medida altera o funcionamento do sistema de recomendações da rede, indo além de determinações pontuais sobre conteúdos específicos. A iniciativa gerou críticas de setores da direita, que apontam avanço no controle do debate público digital.
O episódio ganhou repercussão após o funcionamento do mecanismo ficar exposto no código aberto do X. A visibilidade do código permite que desenvolvedores, pesquisadores e usuários analisem a integração do filtro ao sistema. A situação gerou um efeito paradoxal: a medida acabou sob intenso escrutínio público devido à própria estrutura da plataforma.
A subsecretária de Estado para Diplomacia Pública dos Estados Unidos, Sarah B. Rogers, afirmou em suas redes sociais que o Brasil impõe censura em suas redes. “Esse tipo de transparência algorítmica é exatamente o que muitos reguladores dizem querer. Isso também sinaliza uma censura imposta pelo Brasil” disse ela.






