Atrasos no diagnóstico da esclerose múltipla comprometem a qualidade de vida e favorecem a progressão de sequelas irreversíveis em cerca de 25% dos pacientes brasileiros. Os dados integram um levantamento da HSR Health com a Roche Farma, divulgado pela Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM), que consultou 368 pessoas em tratamento no país. A pesquisa revelou que 56,8% dos participantes receberam um diagnóstico incorreto antes da identificação definitiva da enfermidade, chegando a esperar mais de cinco anos pela confirmação da doença.
Conforme o neurologista Rodrigo Kleinpaul, coordenador do Ambulatório de Neuroimunologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, a demora em identificar a doença reduz a reserva funcional do cérebro e da medula, acelerando a perda de capacidades físicas. O estudo aponta que o paciente passa em média por quatro médicos ao longo de três anos até fechar o diagnóstico.
A esclerose múltipla é uma condição autoimune e inflamatória crônica na qual o sistema imunológico ataca a bainha de mielina das fibras nervosas, afetando cerca de 40 mil pessoas no Brasil — majoritariamente mulheres entre 20 e 40 anos. Por apresentar sintomas iniciais transitórios e genéricos, como dormência, dor e embaçamento visual, a suspeita clínica costuma ser confundida com estresse ou problemas ortopédicos.
Apesar dos gargalos, os avanços terapêuticos tem garantido maior controle da doença – 48% dos ouvidos estão com o quadro estável ou em remissão, e 39% seguem economicamente ativos. Especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce e do suporte emocional.







