O Indicador de Clima Econômico (ICE) da América Latina voltou a subir no segundo trimestre de 2026, interrompendo a retração do início do ano. Divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o índice avançou 10,7 pontos, atingindo 83,7 pontos e retomando o ritmo de alta verificado em 2025. O indicador varia de 0 a 200 pontos, sendo que marcas abaixo de 100 sinalizam um cenário desfavorável. Na média acumulada de 12 meses, o resultado ficou em 83,0 pontos, alta de 1,4 ponto.
A melhora regional foi impulsionada pela Argentina, cujo ICE deu um salto de 54,8 pontos, alcançando a liderança do continente com 123,1 pontos. Já o Brasil registrou um avanço de 4,7 pontos, chegando a 76,9 pontos. O pessimismo e a cautela com as expectativas futuras no mercado brasileiro atuaram como uma âncora, impedindo a consolidação de uma recuperação mais forte no continente, uma vez que o país é a maior economia do bloco.
O movimento ocorreu em meio ao acirramento do conflito geopolítico entre Estados Unidos e Irã no fim do primeiro trimestre, que gerou um choque na oferta de petróleo e elevou a incerteza global. Contudo, a América Latina foi avaliada por investidores como um relativo “porto seguro” devido ao isolamento geográfico e à condição de exportadora líquida de energia, com 68,2% dos analistas prevendo impactos nulos ou moderados no Produto Interno Bruto (PIB) regional.
No cenário doméstico brasileiro, a FGV destacou que a proximidade da eleição presidencial afeta a visão sobre o futuro do país, mantendo o Índice de Expectativas (IE) no terreno negativo. Em contrapartida, a revisão do PIB do Brasil para 2026 subiu no curto prazo.
Entre outros mercados analisados, a Colômbia subiu 27,0 pontos (atingindo 93,7 pontos), enquanto o México recuou 3,2 pontos (para 56,9 pontos). Apesar das oscilações no indicador de confiança, a projeção do PIB da América Latina para 2026 permaneceu estável em 1,9%, com revisões para cima no Brasil e na Colômbia compensadas por quedas registradas no Chile e na Bolívia.







