Apesar da nova etapa do programa Desenrola, as instituições financeiras mantêm a cautela e preveem a continuidade da alta da inadimplência no Brasil no terceiro trimestre. De acordo com pesquisa do Banco Central realizada com 70 bancos entre 13 e 31 de julho, a deterioração das carteiras de crédito deve seguir em ritmo mais brando do que o observado entre abril e junho, mas continuará a restringir a oferta de recursos no país.
A menor tolerância ao risco por parte dos bancos afetou diretamente a concessão de crédito ao consumo para pessoas físicas no segundo trimestre, movimento que deve se estender aos próximos meses. Na avaliação das instituições, as condições favoráveis do mercado de trabalho podem suavizar parte da pressão sobre os orçamentos das famílias, mas o cenário geral exige critérios mais rigorosos para a liberação de empréstimos e financiamentos.
O ambiente de restrição atinge também a oferta de crédito para empresas. As instituições financeiras atribuem a postura defensiva à política monetária restritiva do Banco Central, mantida para controlar a inflação, o que encarece o capital e eleva os riscos de calote.
O programa Desenrola, cujas renegociações de dívidas com condições facilitadas estão abertas até 31 de agosto, busca reduzir o endividamento das famílias. No entanto, segundo o levantamento do Banco Central, os bancos avaliam que a iniciativa ainda não é suficiente para alterar a trajetória de inadimplência de todo o mercado de crédito no período, mantendo a pressão sobre tomadores de maior risco.







