Acompanhe-nos nas redes sociais:

Corte Italiana aponta parcialidade do STF ao anular extradição de Carla Zambelli

Carla Zambelli teve extradição anulada na Itália após Corte Suprema apontar falhas de imparcialidade objetiva em atuação de ministro do STF no processo.

Corte Italiana aponta parcialidade do STF ao anular extradição de Carla Zambelli

Carla Zambelli teve extradição anulada na Itália após Corte Suprema apontar falhas de imparcialidade objetiva em atuação de ministro do STF no processo.
Foto: Lula Marques/EBC

A Corte Suprema de Cassação da Itália divulgou ontem (12/06) os fundamentos da decisão que anulou a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli para o Brasil. De acordo com informações do Uol, os magistrados apontaram falhas na análise sobre a imparcialidade objetiva do julgamento realizado no Supremo Tribunal Federal (STF), em razão da atuação do ministro Alexandre de Moraes em diferentes etapas do caso. A decisão reformou o entendimento anterior da Corte de Apelação de Roma, e Zambelli foi colocada em liberdade no país europeu.

O acórdão indica que o ministro exerceu funções distintas ao longo da tramitação: foi relator da ação penal, participou de questões preliminares, integrou o julgamento da condenação, determinou a perda do mandato parlamentar e emitiu o mandado de prisão. Os juízes italianos ressaltaram que a questão envolve a imparcialidade objetiva exigida pelas garantias processuais, e não a subjetiva. Além disso, destacaram que Alexandre de Moraes é pessoa lesada pelos crimes atribuídos à recorrente, uma vez que a condenação decorreu da invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e da inserção de um mandado de prisão falso contra o próprio ministro.

A decisão criticou os argumentos do Estado brasileiro, classificando-os como considerações de caráter formal que não enfrentaram as dúvidas sobre a falta de imparcialidade objetiva, nem demonstraram mecanismos para afastar os questionamentos, como a análise por um órgão distinto. Segundo a Corte, o vício determinou uma macroscópica violação do direito de defesa e prejudicou a equidade do processo, desde a produção de provas até o pedido de extradição.

Zambelli havia sido presa em Roma em julho do ano passado. Ela tem dupla cidadania e foi condenada pelo STF a 10 anos de prisão pela invasão ao sistema do CNJ em 2023, sendo apontada como autora intelectual do ataque executado por Walter Delgatti. A ex-parlamentar ainda responde na Itália a um segundo procedimento de extradição, em tramitação, decorrente de condenação por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal por episódio ocorrido em São Paulo, em 2022.

Compartilhe:

Facebook
WhatsApp
X

Acompanhe-nos nas redes sociais

Participe de nosso Canal no WhatsApp!