Quem enfrenta o trânsito diário por Niterói, a cidade sorriso, sabe que o problema vai muito além da demanda do local. A cidade acabou se tornando o principal funil viário do Leste Fluminense, absorvendo um volume de veículos e passageiros que precisam atravessá-la para chegar ao Rio de Janeiro.
Niterói exerce uma centralidade logística incontornável na Região Metropolitana. Motoristas e passageiros que saem de São Gonçalo, Maricá, Itaboraí e Rio Bonito precisam, em grande parte dos casos, passar pela cidade para acessar a Ponte Rio-Niterói.
O resultado é conhecido – congestionamentos, perda de horas produtivas e desgaste diário. Um custo alto pago por quem mora, trabalha e circula no município. Nos dias úteis, esse fluxo é essencialmente pendular, formado por trabalhadores e estudantes. Já em feriados e fins de semana, soma-se o tráfego intenso da Região dos Lagos, o que agrava ainda mais a situação — ainda que esse último não pese tanto no cotidiano semanal.
O acesso à ponte concentra praticamente todo o tráfego rodoviário do Leste Fluminense com destino à capital. Para chegar ali veículos precisam atravessar vias urbanas da cidade, transformando bairros inteiros em corredores de passagem.
O problema se agrava no funil da praça do pedágio, onde a promessa do sistema Free Flow se arrasta em estudos desde 2024, sem implementação concreta. Enquanto isso, filas se formam diariamente e o impacto recai, mais uma vez, sobre a pequena Niterói.
O transporte aquaviário, fundamental para a mobilidade metropolitana, também gera efeitos colaterais na cidade. A linha de barcas Praça XV–Arariboia transporta diariamente milhares de passageiros e muitos deles vem de fora da cidade. Somam-se a isso os ônibus intermunicipais que chegam ao Terminal Rodoviário João Goulart também trazendo moradores das cidades limítrofes. Embora essenciais para a integração regional, esses fluxos também pressionam trânsito urbano.
Diante desse cenário, a pergunta é inevitável – por que a Linha 3 do Metrô nunca saiu do papel? O projeto, que ligaria Niterói, São Gonçalo (e possivelmente Itaboraí) ao sistema metroviário do Rio de Janeiro, poderia retirar milhares de veículos das ruas diariamente. A inexistência dessa linha mantém a dependência quase total do transporte rodoviário e empurra a sobrecarga para Niterói, que segue pagando a conta de uma omissão histórica.
Outra alternativa, ainda que de menor impacto, seria a implantação de uma estação de barcas em São Gonçalo. Isso naturalmente reduziria o número de passageiros que hoje precisam se deslocar até Niterói para atravessar a Baía de Guanabara.
Como a concessão do transporte aquaviário é de responsabilidade do Governo do Estado, a decisão é política. O fato de o prefeito de São Gonçalo ser aliado do governador Cláudio Castro apenas reforça a pergunta que muitos fazem: o que falta para essa solução avançar?
Fonte: Cidade de Niterói







