O Rio de Janeiro é o centro de uma análise crítica da revista britânica The Economist, que aponta uma contradição entre o sucesso turístico e a crise de governança no estado. Enquanto a cidade registrou recordes em 2025, com 12,5 milhões de visitantes e impacto econômico de R$ 27,2 bilhões, a publicação alerta para uma “selva urbana” marcada pelo crime e pela corrupção.
Segundo a reportagem, o Rio enfrenta uma crise estrutural de autoridade. O texto destaca que o poder público perdeu o controle territorial em áreas importantes para facções e milícias, o que compromete a capacidade do Estado de arrecadar, fiscalizar e prestar serviços. Esse cenário é agravado pela instabilidade política: em março de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou a inelegibilidade do ex-governador Cláudio Castro por oito anos devido a abuso de poder e irregularidades nas eleições de 2022.
A conexão entre o crime organizado e a política também é citada como símbolo da degradação institucional. O caso Marielle Franco é um marco nesse diagnóstico; em fevereiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão a mais de 76 anos de prisão, expondo vínculos entre agentes públicos e estruturas criminosas.
O impacto da violência é mensurável na economia. Dados da Confederação Nacional do Comércio indicam que crimes violentos geram perdas anuais de até R$ 11,48 bilhões ao estado, cerca de 0,9% do PIB fluminense. Exemplos como o Complexo da Maré, com 140 mil moradores em menos de 4 km², ilustram áreas onde a pressão armada substitui a presença da cidade formal. Para a The Economist, o problema ultrapassa a segurança e atinge a legitimidade democrática, uma vez que a influência de grupos criminosos compromete a competição política e a formulação de políticas públicas.







