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Suspensão da vacina da dengue do Butantan reacende debate sobre liberdade de expressão

Suspensão da vacina da dengue do Instituto Butantan pelo Ministério da Saúde reacende discussões sobre o cerceamento de críticas técnicas de médicos no país.

Suspensão da vacina da dengue do Butantan reacende debate sobre liberdade de expressão

Suspensão da vacina da dengue do Instituto Butantan pelo Ministério da Saúde reacende discussões sobre o cerceamento de críticas técnicas de médicos no país.
Foto: Alex Ramos/Prefeitura de Niterói

A suspensão da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, anunciada pelo Ministério da Saúde após a identificação de 42 casos de sintomas severos — incluindo três internações e duas mortes sob investigação —, reacendeu o debate sobre os limites entre a crítica técnica e a desinformação no ambiente médico e científico. A interrupção ocorre em um cenário de pressão sobre a liberdade de expressão de profissionais de saúde que levantam questionamentos a imunizantes.

O médico infectologista Francisco Eduardo Cardoso Alves, conselheiro federal de Medicina por São Paulo, avalia que o uso de termos como “fake news” e “negacionismo” inibe debates legítimos e prejudica a farmacovigilância. Segundo ele, o Ministério da Saúde acertou na suspensão, mas errou ao aplicar o imunizante nacional em 500 mil profissionais sem estudos de segurança prévios e ao tentar restringir o contraditório. Ele aponta que a limitação de doses da vacina Qdenga, da farmacêutica Takeda, comprada pelo governo, deveria ter sido mais discutida publicamente antes da aposta na versão brasileira.

Para o jornalista e biólogo Eli Vieira, presidente da Free Speech Union Brasil, a identificação de eventos adversos depende da liberdade para relatar suspeitas. Ele argumenta que mensagens excessivamente otimistas de autoridades geram hesitação vacinal quando entram em choque com a realidade, citando o caso da Coronavac, cuja eficácia para casos graves foi divulgada pelo Butantan como de “100%”, informação classificada por ele como falsa.

O clima de restrição gerou outros episódios recentes. A Justiça Federal do Rio de Janeiro determinou o bloqueio das redes sociais da médica Isabel de Fátima Alvim Braga, servidora da Fiocruz, após ação da AGU motivada por críticas da profissional a vacinas e pesquisas da fundação. No Congresso, tramita o PL 2.745/2021, que visa criminalizar a divulgação de informações falsas sobre vacinas, sob críticas de que a medida pode cercear o debate científico.

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