O vice-governador do Rio Grande do Norte, Walter Alves (MDB), comunicou à governadora Fátima Bezerra (PT) que não assumirá o comando do Executivo estadual em abril, caso ela renuncie ao cargo para disputar uma vaga no Senado Federal. A decisão altera o plano de sucessão da governadora e abre caminho para a realização de uma eleição indireta na Assembleia Legislativa, conforme prevê a Constituição estadual.
Com a recusa de Alves, caberá aos deputados estaduais escolher um governador-tampão, que permanecerá no cargo durante o período eleitoral e deixará a função em janeiro, caso não seja eleito. Fátima Bezerra defende o nome do secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier (PT), mas o entorno da governadora avalia com preocupação a possibilidade de a Assembleia optar por um nome de oposição.
Só que o empurra-empurra para ver quem será o governador-tampão do Rio Grande do Norte não acaba por ai. O presidente da ALRN, Ezequiel Ferreira (PSDB), que seria o sucessor legal, também afirma que não aceitará o cargo, preferindo buscar a reeleição. A informação dos corredores do Tribunal de Justiça também não é animadora, já que fontes dizem que o presidente da Corte, desembargador Ibanez Monteiro, também não estaria disposto a assumir a cadeira. Assim, a incumbência de tocar o estado ficaria para vice desembargadora Berenice Capuxu, que sinaliza seguir também não querer.
O cenário na Assembleia Legislativa torna a sucessão estadual incerta. O PL, partido do senador Rogério Marinho, principal liderança da oposição no estado, tende a ter peso relevante no processo, podendo responder por cerca de um terço dos votos após a saída da governadora. Atualmente, PT e PV somam seis cadeiras, o mesmo número do PL. O PSDB também possui seis deputados, enquanto União Brasil e PP contam com três, havendo expectativa de mudanças com a janela partidária.







