A política fluminense está em meio a uma intensa reorganização de forças. A decisão do ministro Luiz Fux (STF), que impôs o voto secreto e exigiu prazos de desincompatibilização de seis meses, agiu como um divisor de águas, excluindo secretários e ocupantes de cargos no Executivo da disputa pelo mandato-tampão. Agora, o foco volta-se exclusivamente para nomes do Legislativo e da vida partidária.
Com as novas regras, os “exércitos” políticos começam a desenhar candidaturas que possam transitar com segurança no novo cenário de sigilo: Na oposição ao governador Cláudio Castro (PL), o nome que desponta é o do deputado veterano André Corrêa (PP); pelo lado do governador a opção é pelo nome do senador Carlos Portinho (PL); existe ainda a opção pelo nome do presidente em exercício da Alerj, Guilherme Delaroli.
A crise de sucessão no Palácio Guanabara desencadeou, por tabela, uma disputa pelo controle da Assembleia Legislativa. Parlamentares já discutem a possibilidade de uma nova eleição para a presidência. Há um movimento para que a eleição da nova Mesa Diretora da Alerj ocorra inclusive antes da eleição indireta para governador. O objetivo é que o novo presidente tenha o controle total do rito sucessório estadual.
A hipótese viria com a saída definitiva de Rodrigo Bacellar (União) ou uma eventual “rebelião” interna contra a atual gestão de Delaroli pode abrir caminho para um novo pleito. Neste cenário o nome de Douglas Ruas (PL) ganha força como o favorito do grupo governista. Já a oposição articula em torno de Rosenverg Reis (MDB), irmão de Washington Reis.
O ponto mais sensível da decisão de Fux foi a garantia do sigilo na votação. Ao derrubar o voto aberto, o STF retirou o poder de retaliação de presidentes de partido e do próprio governador, acabando com o “voto de cabresto” parlamentar. Agora, cada um dos 70 deputados ganha autonomia total, tornando o resultado da eleição indireta imprevisível para as cúpulas partidárias.







