A queda de 0,4% nas vendas do comércio varejista em dezembro, divulgada nesta sexta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reforça o cenário de desaceleração da economia brasileira, segundo avaliação de economistas ouvidos pela reportagem.
O recuo mensal ocorreu após alta de 1% em novembro. No acumulado de 2025, o setor cresceu 1,6%, levemente acima do 1,5% registrado no levantamento anterior, mas abaixo das expectativas do mercado, que projetavam expansão anual de 2,5% e queda mensal de 0,2%. Os dados integram a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), iniciada em 1995.
Para André Valério, do Banco Inter, o resultado confirma a perda de fôlego do setor. Apesar da alta de 2,3% na comparação com dezembro de 2024, o crescimento anual de 1,6% ficou bem abaixo dos 4,1% observados em 2024. Segundo ele, o avanço do ano passado foi concentrado em supermercados e farmácias, atividades de consumo essencial.
Claudia Moreno, do C6 Bank, avalia que o varejo ampliado desacelerou ao longo de 2025 e encerrou o ano praticamente estável, com alta de 0,1% frente a 2024. Veículos e motocicletas recuaram 2,9%, e material de construção ficou próximo da estabilidade (-0,2%). No varejo restrito, houve alta nas vendas de móveis e eletrodomésticos (4,5%) e de tecidos, vestuário e calçados (1,3%).
Matheus Pizzani, do PicPay, destacou retração de 5,1% nas vendas de artigos farmacêuticos e de perfumaria e de 0,7% em móveis e eletrodomésticos em dezembro. Segundo ele, o resultado reflete tanto a antecipação de compras na Black Friday quanto os efeitos da política monetária restritiva sobre bens duráveis.
Maykon Douglas apontou desempenho desigual ao longo de 2025: segmentos mais sensíveis ao crédito recuaram 0,2%, enquanto os ligados à renda avançaram 1,1%. Para os analistas, o cenário indica crescimento mais moderado da economia nos próximos meses.







