A Polícia Federal abriu um inquérito para apurar denúncias de que influenciadores digitais teriam sido procurados para produzir conteúdos com críticas ao Banco Central (BC). O movimento surgiu após a decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master e a prisão de Daniel Vorcaro, dono do banco. A investigação busca esclarecer a existência de uma possível ação coordenada contra a autoridade monetária.
A liquidação do Banco Master foi determinada pelo BC em novembro do ano passado, depois de uma operação da própria PF que teve como alvo Vorcaro e outros integrantes da diretoria da instituição, sob suspeita de fraudes financeiras. A abertura do inquérito foi autorizada pelo ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Após uma análise preliminar de publicações nas redes sociais, a PF identificou indícios de possíveis crimes e solicitou ao STF autorização para aprofundar as apurações. Conforme relatos de produtores de conteúdo, eles teriam sido abordados para difundir a narrativa de que a decisão do Banco Central teria sido precipitada.
A informação foi divulgada inicialmente pelo blog da jornalista Andréia Sadi, no portal G1. O caso veio a público após os influenciadores Rony Gabriel e Juliana Moreira Leite afirmarem ter recebido propostas para divulgar conteúdos favoráveis ao Banco Master. Outros influenciadores relataram ao G1 abordagens semelhantes, com ofertas de contratos de três meses para a publicação de oito postagens mensais. Segundo eles, os contatos ocorreram em dezembro.
Um levantamento feito pela GloboNews identificou, no mesmo período, publicações com teor semelhante feitas por influenciadores que somam mais de 36 milhões de seguidores apenas no Instagram. A Polícia Federal também pretende apurar se houve pagamento pelos conteúdos e se a atuação ocorreu de forma articulada.







