Investidores globais intensificaram as aplicações em ações da América Latina no ritmo mais rápido em uma década, impulsionando os principais mercados da região a máximas de vários anos. Brasil, Colômbia e México lideram o movimento, com forte entrada de capital estrangeiro e valorização expressiva dos índices.
O índice MSCI EM Latin America acumula alta superior a 20% em 2026 e atingiu o maior nível em onze anos. Trata-se do início de ano mais forte desde 1991, refletindo uma mudança significativa na percepção de risco e retorno dos investidores internacionais.
Segundo Alejo Czerwonko, diretor de investimentos para emergentes nas Américas do UBS Global Wealth Management, a região voltou ao radar global. “A América Latina voltou ao mapa, e as pessoas estão prestando atenção à região em um ritmo que não víamos há 10 a 15 anos”, afirmou.
Parte do movimento foi impulsionada pela decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar tarifas globais impostas anteriormente pelo presidente Donald Trump, o que reduziu incertezas comerciais e favoreceu mercados emergentes.
Os fluxos foram particularmente fortes em fundos negociados em bolsa (ETFs). O iShares Latin America 40 ETF, da BlackRock, recebeu mais de US$ 1 bilhão apenas em janeiro, recorde histórico. Já o iShares MSCI Brazil ETF (EWZ), principal fundo voltado ao mercado brasileiro, registrou o maior fluxo mensal em mais de dez anos.
Investidores também têm ampliado compras diretas nos mercados locais. Em janeiro, os aportes estrangeiros em ações de Brasil, México e Colômbia atingiram os maiores níveis em pelo menos quatro anos.
No caso brasileiro, parte das apostas está ligada ao cenário eleitoral. Operadores avaliam que as eleições presidenciais de outubro podem resultar em mudanças na política econômica. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece como um dos fatores centrais nas análises de risco e retorno.
Além da política, a expectativa de cortes nas taxas de juros também contribui para o otimismo. O Banco Central do Brasil mantém a taxa Selic em 15%, o maior nível em quase duas décadas, mas investidores esperam uma trajetória de queda nos próximos meses.
Gestores afirmam que o cenário atual combina fatores favoráveis, como valorização de commodities, potencial flexibilização monetária e diversificação global de portfólios para fora dos Estados Unidos.
Apesar do entusiasmo estrangeiro, investidores locais permanecem mais cautelosos diante das incertezas políticas. Ainda assim, analistas avaliam que a América Latina vive um momento de revalorização estrutural, com potencial de atrair fluxos relevantes de capital no médio prazo.







