Mais de 45 mil estudantes cegos ou com baixa visão iniciaram o ano letivo sem acesso a livros didáticos em Braille. A informação foi divulgada pela Associação Brasileira da Indústria, Comércio e Serviços de Tecnologia Assistiva (Abridef), entidade que representa o setor responsável pela produção desses materiais.
Braille é o sistema de escrita tátil em papel relevo voltado a pessoas com deficiência visual. Segundo a associação, os livros neste sistema são essenciais para a alfabetização e para o acompanhamento escolar desse público. A ausência do material deve afetar alunos de turmas regulares e da Educação de Jovens e Adultos (EJA), do ensino fundamental ao médio.
Conforme a Abridef, esta é a primeira vez em 40 anos que não há cronograma oficial nem garantia orçamentária específica para a produção de livros acessíveis em um ano letivo. A entidade afirma que a falta de planejamento compromete a entrega do material às escolas.
O alerta é reforçado pelo Instituto Benjamin Constant, órgão referência na educação de pessoas com deficiência visual. A instituição produz material didático em Braille em gráficas próprias. O diretor-geral do instituto, Mauro Conceição, afirmou que 2026 será um ano de “Braille zero” nas escolas brasileiras, conforme informações repassadas pelo FNDE.
Procurado, o Ministério da Educação (MEC) informou que o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) mantém contratos vigentes que asseguram o atendimento aos estudantes com deficiência visual. O ministério mas não respondeu de forma direta sobre a distribuição dos livros em Braille.







