Dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), compilados em levantamento do jornal Gazeta do Povo, indicam que candidatos do PT e partidos de esquerda obtiveram ampla vantagem nas seções eleitorais instaladas em unidades prisionais durante o pleito de 2022. O diagnóstico baseia-se em urnas identificadas com termos como “Casa de Detenção”, “Cadeia” ou “Unidade Prisional”.
Na eleição presidencial, o candidato Luiz Inácio Lula da Silva registrou média de 80% dos votos válidos nessas seções nos dois turnos. A tendência de votação estendeu-se para cargos do Legislativo e dos executivos estaduais. Caso o resultado das urnas carcerárias fosse soberano, estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Amazonas seriam todos governados por candidatos de esquerda.
Especialistas apontam diferentes razões para o desempenho da esquerda entre presos provisórios. O perfil demográfico da população carcerária, majoritariamente composta por pessoas de baixa renda e escolaridade, coincide com recortes tradicionais do eleitorado petista.
Mario Lepre, professor da PUC-PR, avalia que as pautas de direitos humanos e a visão estatal da esquerda atraem esse público, enquanto o discurso de endurecimento de penas da direita gera distanciamento. Por outro lado, a presença de votos na direita em algumas unidades é atribuída à participação de policiais penais e servidores, que também votam nessas seções.
]Embora o voto de presos provisórios tenha sido regulamentado em 2010, o cenário para as eleições 2026 é de incerteza. Uma emenda ao Código Eleitoral, incluída no PL Antifacção, prevê a proibição do voto para qualquer pessoa recolhida a estabelecimento prisional, independentemente de condenação definitiva. A medida, de autoria do deputado Marcel Van Hattem (NOVO-RS), visa evitar a influência de facções criminosas no processo eleitoral.






