A Índia enfrenta um novo surto do vírus Nipah, patógeno de alta letalidade identificado pela primeira vez em 1999 e que provoca alertas recorrentes em países da Ásia. No Estado de Bengala Ocidental, cerca de 110 pessoas foram colocadas em quarentena após dois profissionais de saúde receberem tratamento no início de janeiro, depois de terem contato com casos confirmados da doença.
O Nipah é uma doença zoonótica, transmitida de animais como morcegos frugívoros e porcos para humanos, podendo também se espalhar por alimentos contaminados e pelo contato direto entre pessoas. Não há vacina nem tratamento curativo, e o atendimento se restringe ao controle dos sintomas. A taxa de letalidade pode chegar a 75%.
Diante do surto, países vizinhos intensificaram medidas preventivas. Na Tailândia, aeroportos como Don Mueang, Suvarnabhumi e Phuket reforçaram protocolos de limpeza e vigilância sanitária. Em Suvarnabhumi, passageiros provenientes da Índia foram submetidos a triagem, sem registro de casos suspeitos até o momento. Não há infecções confirmadas no país.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o Nipah como uma das doenças prioritárias para pesquisa, ao lado de Ebola, Zika e covid-19, devido ao seu potencial de causar epidemias globais. Surtos da doença ocorrem quase todos os anos em partes da Ásia, principalmente em Bangladesh e na Índia. O consumo de frutas ou produtos derivados contaminados por secreções de morcegos é apontado como a origem mais provável de infecções anteriores.
Os sintomas variam de quadros leves a graves, incluindo febre, dores musculares, vômitos, infecções respiratórias agudas e encefalite, que pode evoluir rapidamente para coma. O período de incubação costuma variar entre quatro e 14 dias, podendo chegar a 45 dias em alguns casos.
O primeiro grande surto ocorreu na Malásia, com mais de 100 mortes e o abate de cerca de um milhão de porcos. Desde então, casos também foram registrados em países como Singapura e, de forma recorrente, na Índia, especialmente no Estado de Kerala, que conseguiu conter surtos anteriores com testagem ampla e isolamento rigoroso. A OMS aponta ainda outros países com risco potencial, onde o vírus já foi identificado em morcegos.







