O Brasil registrou saída líquida de US$ 5,25 bilhões em Investimento Direto no País (IDP) em dezembro, o maior saldo negativo mensal da série histórica iniciada em 1995. O resultado foi influenciado pela antecipação de remessas de lucros e dividendos ao exterior diante da criação de um tributo sobre esses valores.
Em dezembro, o fluxo cambial total apontou saída de US$ 12,2 bilhões. Em 2025, o país acumulou a maior saída líquida de recursos em seis anos e a segunda maior da série histórica iniciada em 1982. Analistas atribuem o movimento, em parte, à tributação de dividendos, que passou a impactar negativamente as contas externas, especialmente o IDP.
A conta de renda primária apresentou déficit de US$ 9,2 bilhões em dezembro. As despesas com lucros e dividendos remetidos por investimento direto subiram de US$ 8,8 bilhões em dezembro de 2024 para US$ 18,0 bilhões no mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, o déficit da renda primária somou US$ 81,3 bilhões, equivalente a 3,57% do PIB, repetindo o valor registrado em 2024.
Segundo a XP, a redução das receitas de lucros de investimento direto ao longo de 2025 foi compensada por menores despesas com juros e com lucros e dividendos. O fluxo cambial costuma ser negativo no último mês do ano, pressionado pelas remessas ao exterior, mas agentes financeiros avaliam que a tributação de 10% sobre lucros e dividendos enviados a não residentes, em vigor desde janeiro de 2026, estimulou a antecipação dessas transferências.
Apesar do resultado negativo de dezembro, o IDP encerrou 2025 com saldo positivo de US$ 77,7 bilhões, o maior desde 2018. O volume representou alta de 4,8% em relação a 2024. Os dados foram divulgados pelo Banco Central e refletem investimentos de longo prazo, como participação em empresas, abertura de filiais, projetos de infraestrutura e instalação de novas fábricas.







