O agravamento do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã gera preocupação na Ucrânia, que teme o isolamento diplomático e a redução do apoio militar ocidental. Especialistas alertam que o deslocamento do foco global para o Oriente Médio pode favorecer a Rússia, ao mesmo tempo em que pressiona a oferta de recursos bélicos e os preços internacionais de energia.
O historiador militar Markus Reisner classifica o cenário como um “presente estratégico” para Moscou e Pequim. Segundo Reisner, a necessidade dos EUA de priorizar armamentos para a nova frente de batalha dificulta o acesso ucraniano a equipamentos vitais, como os mísseis Patriot. Para Ihor Semywolos, do Centro de Estudo do Oriente Médio de Kiev, um conflito prolongado pode tornar o Ocidente mais propenso a encerrar a guerra na Ucrânia sob condições favoráveis à Rússia.
A instabilidade no Estreito de Ormuz elevou o preço do barril de petróleo Brent acima de US$ 80 em 3 de março, com projeções de que o valor ultrapasse US$ 100. A alta beneficia diretamente o Kremlin, aumentando sua capacidade de financiar a ofensiva no Leste Europeu. Entretanto, Wilfried Jilge, do conselho alemão DGAP, pondera que os ganhos podem não compensar o desgaste estrutural causado pelas sanções econômicas acumuladas pela Rússia.
Apesar dos riscos, a Ucrânia busca converter sua experiência militar em vantagem diplomática. O presidente Volodimir Zelenski ofereceu o envio de especialistas ao Golfo Pérsico para auxiliar na interceptação de drones iranianos, tecnologia que o exército ucraniano neutraliza desde 2022. Para Reisner, essa colaboração pode ampliar o apoio financeiro e político de países árabes a Kiev, equilibrando a perda de protagonismo na agenda ocidental.







