O governo da Espanha anunciou nesta semana um decreto para regularizar a situação de centenas de milhares de imigrantes que vivem e trabalham no país sem autorização. A medida prevê a concessão de autorização de residência por até um ano e vistos de trabalho a estrangeiros que tenham chegado ao país antes de 31 de dezembro de 2025, comprovem residência mínima de cinco meses e não possuam antecedentes criminais.
A Espanha é uma das principais portas de entrada de imigrantes na Europa. Em 2025, o país tinha 9,8 milhões de habitantes nascidos no exterior, cerca de 20% da população, segundo dados oficiais.
Segundo a ministra das Migrações, Elma Saiz, a iniciativa pode beneficiar cerca de 500 mil pessoas, embora algumas estimativas apontem para até 800 mil. A maioria é formada por imigrantes latino-americanos e africanos empregados nos setores agrícola, turístico e de serviços, considerados estratégicos para a economia espanhola. Os pedidos de regularização poderão ser apresentados até 30 de junho, e o governo afirma que haverá recursos para processar as solicitações.
A decisão contraria a tendência de endurecimento das políticas migratórias observada em grande parte da Europa e nos Estados Unidos. O governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez (PSOE) tem defendido publicamente os benefícios econômicos da imigração e afirma que a Espanha seguirá uma linha distinta da adotada por outros países.
A medida foi viabilizada após um acordo de última hora entre o Partido Socialista, de Sánchez, e o Podemos, em troca de apoio parlamentar. A iniciativa foi celebrada por organizações de defesa dos direitos dos migrantes e por associações religiosas que vinham pressionando por uma regularização ampla. Já partidos de oposição criticaram a decisão. O líder do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, acusou o governo de tentar desviar a atenção de um acidente ferroviário recente, enquanto o Vox classificou a medida como um incentivo à imigração irregular.







