A capacidade da indústria naval dos Estados Unidos é apontada como um dos principais obstáculos para a manutenção do poder marítimo do país em um eventual conflito prolongado. Apesar do protagonismo recente da Marinha americana em operações militares, a produção de novos navios não acompanha as demandas estratégicas.
Os Estados Unidos, que já responderam por quase 90% da construção naval mundial, representam atualmente menos de 0,13% da produção global. Em contrapartida, a China concentra 71% das encomendas do setor e possui a maior força naval do mundo, com perspectiva de ampliar sua frota até 2030.
Em 2025, a Marinha dos EUA incorporou dois navios e retirou 19 de serviço, resultando em uma redução líquida de 17 embarcações. A previsão indica continuidade no encolhimento da frota nos próximos anos.
Diferenças tecnológicas também são destacadas entre as forças. O destróier chinês Type 055 possui maior capacidade de lançamento de mísseis e opera com armamentos hipersônicos. Já os EUA preveem testes dessa tecnologia em navios para 2027.
Outro desafio é a defesa contra drones. Durante o conflito com o Irã, navios americanos utilizaram mísseis de alto custo para interceptar drones mais baratos, consumindo estoques estratégicos e elevando custos operacionais. Como a construção de novas unidades é lenta, os EUA dependem da modernização de embarcações antigas para integrar sistemas como armas de energia dirigida, embora parte da frota não tenha capacidade elétrica suficiente para esses equipamentos. A China, por sua vez, integra novas tecnologias diretamente na construção devido à sua maior capacidade industrial.
Em um eventual conflito de longa duração, a reposição de perdas torna-se crítica. Hoje, os EUA possuem oito estaleiros militares — número inferior ao da Segunda Guerra Mundial —, enquanto a construção de destróieres e submarinos leva vários anos, o que pode impedir a manutenção da capacidade operacional da frota.







