Estudo do Instituto Esfera aponta que a proposta de fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal no Brasil podem impactar 31,5 milhões de trabalhadores formais. O documento “A Reconfiguração da Jornada de Trabalho no Brasil”, coordenado por Fernando Meneguin, destaca que o efeito será mais severo em pequenas empresas, responsáveis por 52% dos empregos formais no país.
Segundo o levantamento, o perfil mais afetado é composto por trabalhadores de menor renda e qualificação, com salário médio de R$ 2.627, prevalência de mulheres e profissionais com ensino médio completo ou menos. Setores de comércio e serviços, que operam de forma contínua, concentram a maioria desses vínculos; no varejo, 93% dos contratos superam 40 horas semanais.
O estudo alerta para riscos de pressão inflacionária, aumento de custos operacionais e desemprego. Meneguin traça um paralelo com a redução da jornada de 48 para 44 horas na Constituição de 1988, que resultou em uma escalada do desemprego — de 8,7% em 1989 para 19,9% em 1999 — e avanço da informalidade. Diferente daquele período, o cenário atual é marcado por produtividade estagnada e gargalos de qualificação.
A proposta em debate no Congresso, como a PEC 8/2025, sugere o teto de 36 horas semanais em quatro dias. Atualmente, a jornada de 44 horas abrange 74% dos vínculos formais. O Instituto Esfera defende que a implementação seja gradual e mediada por negociações coletivas para mitigar choques econômicos, especialmente em setores intensivos em mão de obra e com baixa capacidade de automação. Políticas de compensação para pequenos negócios também são citadas como necessárias para viabilizar a transição sem demissões em massa.
Fonte: Poder 360






