Uma pesquisa publicada pelo Programa de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP revela que a prática de exercícios físicos breves e intermitentes apresenta maior eficácia no tratamento do transtorno do pânico do que as tradicionais técnicas de relaxamento. O estudo defende a utilização da chamada “exposição interoceptiva” para reabilitar a resposta emocional do paciente às sensações do próprio corpo.
Segundo o psiquiatra Alan Campos Luciano, membro do instituto, é fundamental distinguir os dois conceitos. A crise de pânico é um evento abrupto, com pico de dez minutos, caracterizado por sintomas físicos como palpitações, sufocamento e formigamentos, associados ao medo de morrer ou perder o controle. Já o transtorno do pânico se configura quando o indivíduo sofre crises recorrentes sem gatilhos específicos e passa a viver sob o medo constante de novos episódios.
O transtorno é alimentado por um ciclo de retroalimentação: o paciente desenvolve uma hipervigilância às sensações internas (interoceção) e interpreta sinais normais, como a aceleração do coração, como ameaças graves. Essa preocupação dispara mais ansiedade, intensificando os sintomas físicos em um feedback contínuo.
A inovação do estudo está em utilizar a atividade física como ferramenta terapêutica para quebrar esse ciclo. Em vez de evitar o desconforto, o paciente é exposto a exercícios que simulam as sensações de um ataque, como subir escadas para elevar a frequência cardíaca. O objetivo é criar uma “memória emocional” de que tais reações corporais não são perigosas.
O especialista alerta que, sem intervenção, mais da metade dos casos tende a se tornar crônico. O tratamento pode envolver psicoterapia, protocolos de exercícios ou medicação, dependendo da avaliação individualizada de cada perfil.







