António José Seguro, candidato de centro-esquerda apoiado pelo Partido Socialista (PS), foi eleito presidente de Portugal ontem (08/02) ao derrotar André Ventura (Chega), no segundo turno das eleições presidenciais. A posse está marcada já para o dia 9 de março. Seguro obteve 66,82% dos votos, contra 33,18% de Ventura, que reconheceu a derrota e desejou um ótimo mandato ao adversário.
O resultado representa um alívio para a esquerda portuguesa, que enfrenta desgaste político e perda de espaço na Assembleia da República. Portugal não elegia um presidente ligado à esquerda desde 2006, quando Jorge Sampaio deixou o cargo. O país adota o sistema semipresidencialista, no qual o presidente da República exerce funções como promulgar ou vetar leis, convocar referendos, comandar as Forças Armadas e representar o país no exterior, além de eventualmente poder dissolver a assembleia e convocar novas eleições.
O primeiro turno foi marcado por fragmentação e imprevisibilidade, com elevado número de candidaturas, sobretudo da direita. Seguro liderou com 31,1% dos votos (1.755.563), seguido por Ventura, com 23,5% (1.327.021). No segundo turno, o agora presidente eleito consolidou a vantagem ao atrair eleitores de candidatos eliminados, especialmente de Luís Marques Mendes (centro-direita), além de apoios oriundos de Henrique Gouveia e Melo e João Cotrim Figueiredo (Iniciativa Liberal).
O pleito presidencial ocorre após sucessivas eleições legislativas que redesenharam o Parlamento português desde 2019, com forte crescimento do Chega e retração dos partidos de esquerda. Nesse período, o PS, o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista viram reduzir suas bancadas. O contexto político inclui ainda a queda do governo socialista liderado por António Costa, em 2023, e a consolidação da direita com Luís Montenegro (PSD) no cargo de primeiro-ministro após as eleições de 2024 e 2025.







