O recente agravamento do conflito no Oriente Médio, com ataques à infraestrutura no Irã e a paralisia parcial do Estreito de Ormuz — por onde trafegam 20% do petróleo e gás mundial —, reacendeu o debate sobre segurança energética. Especialistas afirmam que países com matrizes baseadas em fontes eólicas e solares estão mais resilientes aos choques de preços e desabastecimento que hoje elevam a inflação global.
Embora tecnologias verdes dependam de cadeias de suprimentos globais, a produção de energia ocorre dentro das fronteiras nacionais. “Depois que as tecnologias chegam, o combustível é o sol ou o vento locais”, explica Rana Adib, da rede REN21. Essa independência reduz a exposição das economias a gargalos logísticos em zonas de guerra.
Dois países destacam-se como modelos de transição bem-sucedida: Uruguai – Após a crise de 2008, o país eliminou gradualmente os combustíveis fósseis de sua matriz elétrica. Hoje, mais de 90% de sua eletricidade é renovável. Além de economizar US$ 500 milhões anuais em importações, o Uruguai manteve preços de energia estáveis durante a guerra na Ucrânia, protegendo-se da inflação energética. Dinamarca – Com 80% da eletricidade vinda de fontes limpas (60% eólica), o país planeja um sistema elétrico 100% livre de fósseis até 2030. Seu sistema de aquecimento urbano já substituiu quase totalmente o carvão por biometano.
Apesar das vantagens, o mundo ainda obtém 80% de sua energia de combustíveis fósseis. A transição enfrenta barreiras como os altos subsídios ao petróleo e mudanças políticas recentes, como a revogação de regulamentações verdes nos Estados Unidos sob a administração de Donald Trump.
Estudos indicam que cada aumento de 1% em energias renováveis reduz o preço da eletricidade no atacado em 0,6%. Contudo, analistas ressaltam que a proteção total do consumidor só ocorrerá quando setores como aquecimento e transporte estiverem totalmente eletrificados, reduzindo a vulnerabilidade a choques externos de commodities.







