A mineradora norte-americana USA Rare Earth (USAR) anunciou a aquisição da brasileira Serra Verde em uma transação avaliada em aproximadamente US$ 2,8 bilhões. O negócio visa consolidar a maior empresa global do setor e estabelecer a primeira cadeia de suprimentos de terras raras “da mina ao ímã” fora do continente asiático.
A Serra Verde opera em Minaçu (GO) a mina de Pela Ema, única de argilas iônicas ativa no país e produtora de quatro das terras raras pesadas mais valiosas do mercado: Disprósio (Dy), Térbio (Tb) e Ítrio (Y). Atualmente, mais de 90% da extração mundial desses minerais, essenciais para a fabricação de ímãs permanentes em veículos elétricos, turbinas eólicas e tecnologia aeroespacial, é controlada pela China.
O acordo estabelece um contrato de fornecimento de 15 anos para uma Empresa de Propósito Específico (SPV), capitalizada pelo governo dos Estados Unidos e investidores privados. A estrutura garante preços mínimos para 100% da produção da Fase I da mina goiana, que tem expectativa de dobrar sua capacidade até 2030.
Agora, com a fusão, a nova multinacional passa a contar com oito operações distribuídas entre Brasil, EUA, França e Reino Unido. Segundo Ricardo Grossi, presidente da Serra Verde, o movimento demonstra a capacidade do Brasil de liderar cadeias globais de suprimentos críticos.
A equipe brasileira será mantida, e os executivos Sir Mick Davis e Thras Moraitis serão incorporados à diretoria da USAR. A reação do mercado foi positiva: as ações da USAR na Nasdaq registraram alta superior a 8% na tarde desta segunda-feira.
O movimento estratégico ocorre em meio às críticas do governo dos Estados Unidos sobre a dependência global da produção chinesa de terras raras. O tema é recorrente em discursos de Donald Trump e tem gerado tensões comerciais com Pequim.







