Sob impacto de sua maior crise financeira, os Correios contrataram, sem licitação, o escritório Wambier, Yamasaki, Bevervanço & Lobo Advogados por R$ 800 mil para atuar na defesa de dirigentes e ex-dirigentes em processo no Tribunal de Contas da União (TCU). A contratação foi feita por dispensa de licitação e tem como objeto um processo que tramita sob sigilo.
O caso apura possíveis irregularidades nos balanços da estatal em 2023, período em que a presidência era ocupada por Fabiano Silva Santos. A investigação teve início após revelação de que a empresa alterou o status de ações trabalhistas, desistiu de recursos e assumiu dívidas bilionárias, com valores contabilizados no exercício anterior, de 2022.
Apesar de contar com cerca de 300 advogados em seu quadro funcional, a estatal optou pela contratação externa. A iniciativa partiu da então diretora de Governança e Estratégia, Juliana Picolli Agate, que levou o tema à reunião da direção que aprovou a decisão. Ela deixou o cargo após mudança na presidência da empresa e assumiu função no Ministério dos Esportes.
A jurisprudência do TCU estabelece que recursos públicos não devem ser utilizados para custear defesa pessoal de gestores investigados. Os Correios informaram que a contratação de escritórios externos é prática comum em empresas públicas e privadas para condução de processos relevantes. O escritório contratado não se manifestou.
A estatal registrou prejuízo de R$ 6,1 bilhões entre janeiro e setembro de 2025 e firmou empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco bancos, com garantia do governo federal. O processo no TCU é relatado pelo ministro Bruno Dantas, que apresentou relatório final em dezembro, ainda sob sigilo.
Fonte: Poder360







