O conflito no Oriente Médio começou a gerar reflexos diretos no mercado brasileiro de carne bovina, instaurando um cenário de incerteza para exportadores e produtores nacionais. Após um período de valorização do produto no mercado internacional, a instabilidade geopolítica provocou paralisações pontuais nos embarques e uma reversão na tendência de preços, que agora apresentam viés de queda.
A região é destino de aproximadamente 10% das exportações brasileiras de carne bovina industrializada, o que representa 205 mil toneladas anuais. Contudo, o impacto é mais acentuado no segmento de animais vivos, onde o Oriente Médio absorve cerca de 30% das vendas externas do Brasil, totalizando 320 mil cabeças.
Segundo Lindonez Rizzotto, presidente da Padrão Beef, o setor monitora com cautela o aumento dos custos logísticos. A instabilidade internacional afeta as rotas comerciais e o transporte marítimo, elevando o valor do frete. Rizzotto avalia que a dificuldade de escoamento pode resultar no represamento da produção no mercado doméstico, pressionando os preços internos para baixo. Apesar do quadro atual, o dirigente acredita em uma realocação rápida dos volumes para outros destinos, dada a capilaridade do comércio brasileiro.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) confirma que as empresas exportadoras já promovem ajustes operacionais, como a reorganização de fluxos de embarque e a alteração de rotas. Ricardo Santin, presidente da entidade, destaca que a diversificação de mercados é o principal trunfo do Brasil para enfrentar a crise. Atualmente, o país exporta proteína animal para mais de 160 nações, o que permite o redirecionamento de cargas conforme as necessidades regionais. Para a ABPA, essa flexibilidade é fruto de décadas de consolidação do Brasil como fornecedor global, permitindo que o setor mantenha o abastecimento externo mesmo diante da instabilidade nas rotas marítimas tradicionais.







