Apesar da abundância de insumos naturais como o quartzo e da posição consolidada da fonte solar na matriz elétrica nacional, a indústria brasileira de energia solar mantém uma profunda dependência de equipamentos da China. O país asiático responde hoje por 99% dos painéis solares, 95% das células e 62% dos kits geradores comprados pelo Brasil para atender montadoras e revendedoras do mercado interno.
A liderança chinesa resulta do domínio de todas as etapas de transformação. A participação da China chega a 97% na fabricação de lâminas de silício (wafers), 84% nas células e 78% nos módulos finais. Atualmente, oito das dez maiores fabricantes globais são chinesas.
No cenário nacional, a energia fotovoltaica tem papel central: grandes usinas representam 8% da capacidade instalada gerenciada pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), enquanto a geração distribuída em residências e comércios atinge 21%. A expansão ganhou impulso a partir de regulamentações específicas e de leilões federais em 2014, quando o BNDES exigia conteúdo local para concessão de crédito. Contudo, o crescimento posterior do mercado livre e da geração distribuída, aliado à queda no preço do painel chinês, reduziu os incentivos para a consolidação de uma cadeia fabril no Brasil.
Com regras flexibilizadas desde 2020, o mercado brasileiro passou a importar módulos prontos, restringindo a produção nacional aos componentes periféricos, como rastreadores e estruturas de suporte. A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) destaca que a fabricação local de módulos atende a menos de 3% da demanda. Para fortalecer o setor, a entidade defende leilões frequentes, compras públicas e crédito subsidiado para produtos nacionais, mas rejeita a elevação de tarifas de importação para evitar o encarecimento da energia ao consumidor final.







