Pesquisadores da Washington University School of Medicine, em St. Louis, identificaram que as gerações mais jovens podem estar envelhecendo biologicamente mais rápido do que as anteriores. A constatação, publicada na revista científica Nature Medicine, associa esse desgaste precoce ao aumento de casos de câncer em adultos com menos de 50 anos.
O estudo acompanhou dados de mais de 150 mil pessoas do Reino Unido e dos Estados Unidos durante cerca de 15 anos. Em vez de focar na idade cronológica, os cientistas avaliaram sinais moleculares e fisiológicos do organismo. Os dados indicam que os nascidos na década de 1990 apresentam uma diferença significativamente maior entre a idade biológica e a cronológica em comparação aos nascidos na década de 1960.
O levantamento apontou que o envelhecimento biológico acelerado aumenta em cerca de 15% o risco geral de tumores sólidos em estágio precoce. Foram observadas também associações específicas por órgão: o envelhecimento do sistema imunológico foi ligado ao câncer de pulmão, enquanto alterações no tecido adiposo relacionaram-se ao câncer colorretal. Em países como Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália, os nascidos nos anos 1990 enfrentam risco ao menos quatro vezes maior de câncer colorretal precoce do que os nascidos nos anos 1960. O Brasil não integra o estudo.
Segundo a epidemiologista Yin Cao, uma das autoras do levantamento, identificar o envelhecimento acelerado permite intervir preventivamente antes do aparecimento de sintomas. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que os diagnósticos globais de câncer antes dos 50 anos subiram 24% entre 1990 e 2019.







