Acompanhe-nos nas redes sociais:

Disputa entre China e EUA pressiona Brasil entre recordes comerciais e cobranças diplomáticas

China e EUA intensificam disputa por influência no Brasil em 2025, alternando recordes no comércio de commodities com pressões sobre segurança e liberdade de expressão.

Disputa entre China e EUA pressiona Brasil entre recordes comerciais e cobranças diplomáticas

China e EUA intensificam disputa por influência no Brasil em 2025, alternando recordes no comércio de commodities com pressões sobre segurança e liberdade de expressão.
Foto: Reprodução/Reuters

A economia brasileira em 2025 consolidou-se como um dos principais palcos da disputa por influência global entre China e Estados Unidos. Enquanto Pequim fortalece sua posição como maior parceiro comercial do país, Washington intensifica pressões diplomáticas e busca acordos estratégicos em áreas como segurança e minerais críticos.

A relação com a China atingiu um novo patamar no último ano, com o comércio bilateral batendo o recorde de US$ 100 bilhões. O fluxo é vital para a saúde financeira do Brasil, sendo responsável por quase metade do superávit comercial do país em 2025. O Brasil mantém uma forte dependência de commodities, com minério de ferro, soja e petróleo compondo 80% das vendas para a China. Os chineses absorvem 30% do total exportado pelo Brasil, o triplo do volume destinado aos EUA (10%).

Para o economista Igor Lucena, esse volume sustenta as reservas internacionais e a política cambial brasileira. Segundo a professora Ingridhe Magalhães (PUC-PR), a demanda chinesa foi o escudo que protegeu as exportações nacionais diante das tarifas impostas pela gestão de Donald Trump a diversos setores.

Apesar da hegemonia comercial chinesa, os EUA ainda lideram o investimento direto no Brasil. A estratégia americana, sob o comando de Trump, foca em conter a presença de Pequim e Moscou na América Latina.

Na última semana o ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou a criação do MIT (Time de Interdição Mútua), um acordo de cooperação com os EUA para o combate ao tráfico de drogas e armas. Além disso, as potências negociam parcerias no setor de minerais críticos. O diálogo bilateral convive com atritos significativos. O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) classificou o Pix, as tarifas de importação brasileiras e o comércio popular em São Paulo como “práticas desleais”. No campo político, a Casa Branca expressou “preocupação” com decisões do governo e do Judiciário que restringiriam a liberdade de expressão, citando nominalmente o ministro do STF, Alexandre de Moraes, em relatórios sobre censura.

Especialistas como Eduardo Galvão (Ibmec) e Alexandre Uehara (ESPM) acreditam que, embora uma ruptura econômica seja improvável devido aos interesses mútuos, o Brasil deve enfrentar pressões pontuais como: possíveis sobretaxas em aço e tecnologia e resistência americana à presença de empresas chinesas em portos e redes de telecomunicações. Por outro lado, alguma tentativa de forçar alinhamento pode, ironicamente, empurrar o Brasil de vez para o eixo do BRICS.

Compartilhe:

Facebook
WhatsApp
X

Acompanhe-nos nas redes sociais

Participe de nosso Canal no WhatsApp!