O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta semana que não há evidências de irregularidades cometidas por seu antecessor, Roberto Campos Neto, no caso envolvendo o Banco Master. O depoimento foi prestado à CPI do Crime Organizado, no Congresso Nacional, e frustrou integrantes do governo federal que esperavam uma postura mais crítica em relação à gestão anterior.
De acordo com Galípolo, auditorias e sindicâncias internas não identificaram culpa ou atuação indevida de Campos Neto. Questionado pelo presidente da comissão, senador Fabiano Contarato, sobre possíveis interferências para evitar a liquidação do banco em 2024, o atual presidente da autoridade monetária negou a existência de indícios que sustentem tal hipótese.
Divergência de Narrativas A declaração de Galípolo contraria a estratégia política do Palácio do Planalto, que buscava vincular o episódio a uma suposta omissão da administração indicada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. No mesmo dia do depoimento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a responsabilizar Campos Neto pelo escândalo em entrevista, expondo a divergência entre o discurso político e a avaliação técnica do BC.
Desgaste com o Planalto A postura técnica de Galípolo aumentou o desconforto nos bastidores do governo, somando-se a insatisfações sobre a condução da política monetária. Aliados do presidente Lula criticam o ritmo de redução da taxa Selic; embora a expectativa fosse de cortes imediatos após a posse de Galípolo em janeiro de 2025, a primeira queda, de 0,25 ponto percentual, ocorreu apenas em março, fixando a taxa em 14,75%.
Interlocutores relatam que, apesar de evitar críticas públicas diretas ao atual presidente do BC — anteriormente chamado por Lula de “menino de ouro” —, há frustração no governo com a autonomia técnica demonstrada pela autarquia tanto na área fiscal quanto em investigações internas.







